Comportamento Vitor Carneiro

A era do prazer e do desconforto

Vitor Carneiro
Escrito por: Vitor Carneiro

Por Vítor Carneiro – Talvez você questione: Por que um tema estranho como este? Por que a priori soa pesado e desconfortável? Na verdade, ele é o resultado de alguns questionamentos que me foram feitos nestes dias os quais exigiram um grande exercício reflexivo ao tentar responde-los. Num grande desafio, tentarei me expressar da melhor maneira sobre o mesmo, e espero, a medida do possível, tornar-me compreendido e objetivo sem cometer equívocos…

Bem, percebo que um dos problemas que envolve diversas pessoas em nossa época ou nesta geração é que “TEMOS CONFUNDIDO PRAZER COM FELICIDADE!” Provavelmente o “significado” de ambas as palavras já perderam seu sentido original para nós, por isso tanta confusão nos nossos pensamentos, desejos e sentimentos. Daí surge a seguinte questão: Afinal de contas, qual é a diferença entre prazer e felicidade?

Numa coisa acredito, e é o fato de que chegamos a conclusão onde “O PRAZER É TOTALMENTE INSTÁVEL”, que no fundo, para os nossos anseios, tem pouca duração e para mantê-lo será sempre exigido de nós mais e muito mais. Aquela sensação maravilhosa! Tende a evaporar, desaparecer, tornar-se neutra e em algumas das vezes torna-se até mesmo desagradável. Num primeiro momento toda sensação de prazer pode nos satisfazer completamente, mas é importante pensar que sempre correremos o risco de que uma vez saciados desta vontade, poderemos ficar indiferentes. Tudo poderá passar a não ter mais a importância que tinha antes. Espero não estar sendo muito obscuro.

Ou seja, aquilo que era uma fonte de prazer se transforma em algo desagradável. Daí em diante, serão necessários cada vez mais estímulos, aplausos, reconhecimentos para sentirmos migalhas de prazer novamente.

Verdade não mente! Buscamos incessantemente as sensações que o prazer nos proporciona, mas num curto espaço de tempo, estes passam a não produzir os mesmos efeitos. Provavelmente pelo simples fato de repetir-se ou instalar-se em nossas rotinas.

E o prazer…? Satisfação e insatisfação que gera novos desejos… satisfação e insatisfação que …, e assim sucessivamente, numa busca quase que interminável.

A verdade sempre foi verdade, então, não há como negar que a busca pela felicidade é o “combustível” que nos move, ou melhor, que move a humanidade; creio eu. E o que vai acontecendo é que grande parte de nós acabamos por confundir felicidade com prazer. Há, provavelmente isso ocorra em parte por conta desta cultura de “sociedade de consumo” que nos bombardeia de produtos que são vendidos com o rótulo da tão desejada felicidade. A mentira sempre será mentira! Seguindo tal padrão, nossa lista interminável de desejos será sempre alimentada pela promessa de felicidade em forma de bens.

Resumindo: A conquista dos nossos “desejos” e as ações ou atividades que realizamos para obtê-los pode nos proporcionar prazer e não felicidade. Isto não significa que devemos nos privar destas sensações agradáveis. Agora, nossa busca pelo prazer se torna de fato um problema quando há claramente um desequilíbrio e ele acaba nos conduzindo a comportamentos obsessivos e exagerados afetando nossas vidas, nosso convívio familiar e demais relacionamentos. Nossos pensamentos e emoções perdem em qualidade e estabilidade.

Agora, ao contrário do prazer, que produz sensações agradáveis e momentâneas, porém ligadas a fatos e acontecimentos externos, a felicidade vem de dentro e exatamente por isso deve ser duradoura. Sem duvidas é o resultado de um profundo equilíbrio emocional, moral e espiritual. Não adianta insistirmos em compra-la, não está condicionada às nossas conquistas e nem aos meios que utilizamos para alcançá-las, pois não vem de fora para dentro e, sim, de dentro para fora. Talvez não seja uma meta a ser alcançada e possivelmente nem um ponto de chegada, talvez simplesmente seja a forma como percorremos nosso caminho.

Para superar esta era do prazer e ao mesmo tempo do desconforto necessitamos “viver intensamente e somente a arte da vida!” Entender que a ansiedade é um dos maiores males deste século a se enfrentar, fugindo assim da busca por tudo aquilo que é somente momentâneo.

“E no final das contas não são os anos em sua vida que contam. É a vida nos seus anos.” – Abraham Lincoln

“A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida.” Vinicius de Moraes

Enquanto o ritmo dos nossos dias tende a nos levar a um estado de ansiedade que resulta num olhar essencialmente egoísta e individualista da realidade que nos cerca, o Mestre da Sabedoria nos propõe a viver o dia de hoje sem antecipar as preocupações e o consumir que estão por vir. Simplesmente Ele deseja trazer à nossa memória que o andar preocupado e compulsivo não acrescenta esperança a nossa existência.

No marketing da sedução, a sociedade de consumo está cada vez mais bem definida pela prática de seduzir o consumidor, pois somos consumidores absolutos e em potencial para tudo o que se possa imaginar: vendem-se todos os tipos de prazeres e felicidades, principalmente tirando o foco da mercadoria e tentando o comprador em que a busca pelo prazer é o único propósito da vida. As mercadorias oferecem sensações, prometem conforto, salientando as experiências prazerosas, as quais virão com a chegada do produto.

A ideia que estão nos inculcando é de que a cultura da felicidade no objeto e do eterno presente paradisíaco, iniciado com este capitalismo de consumo, subjuga todas as esferas da existência humana. Será de verdade que nossa busca pelo prazer é o único propósito da vida? Será que algo assim tão mesquinho e vazio pode produzir felicidade?

Temos de contestar ou negar cada ideia neste sentido, para não viver somente por registrar experiências ruins e não enganar nossa memória com dados inúteis. Não podemos dispensar o presente, único momento que temos para ser estáveis e felizes. Não devemos sofrer por antecipação. Devemos pensar sobre um futuro saudável e estável principalmente para traçar novas metas. Antes de ser, o que tenho sido…? Pensar é bom, pensar com consciência crítica é melhor ainda. Pensar sem gerenciar o que pensamos é uma bomba para o desenvolvimento de um futuro feliz!

Enfim, calculo que será extremamente difícil vivermos sem certa mistura de prazer e desconforto. Afinal, não existe progresso sem crise da mesma maneira que não existe liberdade sem a anterior prisão!

Conselho prático? Não exatamente meu, mas do Apóstolo Pedro: “Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês.” I Pedro 5.7

E Salmos 37.5 “Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará.” – Em nossas vidas esta pode ser uma sabia decisão para alcançar a tal da felicidade!

Imagens: reprodução

Sobre o autor

Vitor Carneiro

Vitor Carneiro

Vítor Carneiro, é pastor e palestrante.

Deixe um Comentário

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.
%d blogueiros gostam disto: