Comportamento Vitor Carneiro

A terrível maldição da amargura

Vitor Carneiro
Escrito por: Vitor Carneiro

Por Vítor Carneiro -Como já compartilhado em outras oportunidades, e ciente do vasto conteúdo divulgado sobre o assunto, gostaria somente de reforçar que todos os dias somos expostos a acontecimentos na vida que nos fazem disparar reações emocionais. Portanto, todos já sentimos em algum momento a amargura. Ela é aquele sentimento amargo de aflição, angustia, desgosto, de dor moral que nos atinge em cheio na alma. Senti-la talvez não seja o pior mal, mas cultivá-la certamente nos levará a muitos prejuízos graves para nossa saúde e nossa alma. Isso porque tudo que decorre da amargura gera coisas ruins que impregnam nosso espírito nos fazendo definhar aos poucos. O pior… é que nenhum de nós está imune a seu veneno.

Achamos que uma pessoa amargurada é apenas aquela que age de forma hostil, dura, que maltrata e age carregada de desamor. Mas essa forma de manifestação é apenas a ponta visível do iceberg chamado “amargura”. Pois, podemos encontrar a amargura em pessoas ótimas, muito queridas e bondosas, que nos recebem e atendem com uma prestatividade fantástica! Porém, que não se permitem a soltura interior que possibilita a felicidade. Nelas, já é bem mais difícil a identificação.

“…Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos.” Bíblia Sagrada – Hebreus 12.15

O autor aplica a metáfora baseada na vida agrícola. A qual, algumas plantas que eram amargosas, prejudiciais e venenosas, não deveriam crescer entre o trigo ou outras plantas benéficas ao homem.

Os hebreus chamavam de “AMARGA” a toda planta “VENENOSA”, e quanto mais amargas eram, maior era a dose de veneno. A planta venenosa era vigorosa e absorvia todos os nutrientes existentes no solo, deixando-o ressequido e estéril para o crescimento de plantas úteis. Espalhando suas raízes por toda parte, logo surgiam plantinhas secundárias e o resultado era que num espaço curto de tempo não haveria mais trigo no campo, somente as plantas amargas.

Quão metafórico e moderno tudo isso parece! Uma amargura começa como “RAIZ”. No início, é minúscula, muito difícil de ser detectada, e nem fica na superfície onde possa ser facilmente identificada. Pelo contrário, como um câncer, realiza seu trabalho traiçoeiro e enganador lá nas profundezas da alma, e possivelmente, somente depois de espalhar um ou mais focos do tumor distante do local em que ele se originou é que os sintomas aparecerão em palavras, pensamentos e ações amargas.

Hoje, chega a ser espantoso como tal amargura está tomando conta das famílias e infelizmente de outros tantos setores da sociedade. Casais que não vivem, simplesmente se suportam porque seus corações estão amargurados. Crianças são amarguradas com seus pais e os pais, também seres humanos que são, têm amargura com os filhos. Casais divorciados têm amargura com os ex-cônjuges e seus filhos consecutivamente estão amargurados porque eles se divorciaram. Irmãos têm amargura uns com os outros por rivalidades em questões de afeto, de preferência dos pais e de heranças. No trabalho, funcionários têm ressentimento uns com os outros, com os superiores e com a própria empresa. Sociedades fracassam e o resultado são ex-sócios amargurados. Na política, e com a política atual então nem se fala, são inúmeros os corações amargurados, enfim, vivemos em um oceano de amarguras e o pior de tudo é que alguns atingiram o triste estágio de estarem amargurados com o próprio Deus.

A palavra amargura significa amargo, dureza extrema, ira, aspereza, descontentamento e irritabilidade. Ela pode ser o resultado de frustração não resolvida causada por ira ou inveja. E a palavra-chave é frustração.

Entendo que ela possivelmente pode ser uma sequência do “não perdão”, uma vez que alguém não consegue se desprender do que lhe aconteceu e, a partir daí tudo será regido por ressentimentos. Também pode ser resultado de não se assumir os erros. Se algo não deu certo em nossas vidas, primeiro e necessariamente não quer dizer que seja um erro, mas que pode ter sido. Então fazer a correção e partir para novas tentativas buscando os devidos acertos deve ser o próximo objetivo.

A amargura não só tem a condição de destruir o amargurado, mas também de contaminar outros que estão ao seu redor! O amargurado pode sentir, acima de tudo, que perdeu o controle da sua vida e assumir o papel de vítima se deixando levar pelas emoções. Seu mundo está cheio de janelas através das quais vê apenas injustiça. Uma pessoa que não está em paz consigo mesma estará em guerra com todo mundo!

Recapitulando, creio que uma pessoa amargurada se faz com o tempo em função de diversas situações que não foram bem administradas, e que em determinado momento superaram a própria pessoa. Ela pode ser provocada por inúmeras circunstâncias, dentre elas: rejeições, traumas e mágoas, desencorajamento, desesperança, inveja e ciúme. Enfim, experiências dolorosas que criam um ambiente fértil para que raízes de amargura sejam geradas com profundidade nos corações e assumindo, ao longo desse tempo, parte ou totalidade do caráter e comportamento.

Em Provérbios 18.19 encontramos: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte;”

A cura da amargura

Não permitir que o coração fique remoendo magoas é um excelente começo. Viver remoendo as magoas é um dos maiores combustíveis para manter a amargura viva. Infelizmente, temos por hábito insistir em ficar lembrando das ofensas cometidas contra nós, das dores e das tempestades que passamos. O PERDÃO, é o santo remédio, porém infelizmente tem sabor de derrota para muitos!

Não permitir que a amargura crie raízes é outra ação eficaz. A raiz é o que sustenta uma árvore. Corte a raiz e a árvore morrerá rapidamente. Com a amargura também deve ser assim.

Não permitir que a amargura produza maus frutos, tais como: vingar ou penalizar. Muitas das vezes, diante do nosso sofrimento amargurado buscamos a vingança ou queremos achar culpados para descarregar nossa amargura. Não devemos retribuir mal com mal, mas sim, por mais difícil que seja, exercer a nobreza do (?), olha a dica aí novamente, PERDÃO.

Aprender a lidar com as circunstâncias. As circunstâncias que enfrentamos inevitavelmente têm um determinado peso na nossa reação emocional. Não podemos ignora-las.

Quando um sentimento doloroso é arrastado pelo tempo é sinal de que a cura interior ainda não aconteceu.

Finalizando…

Compreender as nossas amarguras e resolvê-las é um grande desafio e uma grande conquista, principalmente por terem um caráter impeditivo, podem nos tirar muitas boas oportunidades. Ou seja, compreende-las e resolve-las é muito importante para nosso presente e futuro.

Há, outro ponto é a questão familiar. Família é o lugar dos maiores amores assim como dos maiores ódios. Isto provavelmente porque quem tem mais capacidade de amar, também tem grande capacidade de ferir. Mas para o perdão, e graças a Deus, tem o dia seguinte. E os que recebem perdão e abraços possuem grande oportunidade para não mais ferir o outro.

Novamente, recorrendo as Sagradas Escrituras aprendemos que: “No amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo. Portanto, aquele que sente medo não tem no seu coração o amor totalmente verdadeiro, porque o medo mostra que existe castigo. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro. Se alguém diz: “Eu amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê. O mandamento que Cristo nos deu é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão.” I João 4.18-21 – Bíblia NTLH

Imagens/Reprodução

Sobre o autor

Vitor Carneiro

Vitor Carneiro

Vítor Carneiro, é pastor e palestrante.

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