Alexandre de Moraes nega pedido da PGR para arquivar inquérito contra Bolsonaro

Ministro do STF recusa tentativa da PGR de blindar presidente e diz que argumentos de Lindôra Araújo são “impertinentes e intempestivos”

Arquivo EBC

São Paulo – Em decisão dexta sexta-feira (5), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da vice procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, para arquivar o inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) em que ele é investigado por suposto vazamento de dados sigilosos. “Não conheço dos pedidos de reconsideração e impugnação da Procuradoria Geral da Republica, por impertinentes e intempestivos. Publique-se e intime-se. Brasília, 5 de agosto de 2022”, escreveu o ministro.

O caso trata da divulgação por Bolsonaro, durante uma de suas lives semanais, no ano passado, de um inquérito sigiloso da Polícia Federal sobre um suposto ataque hacker que tria sido cometido contra o TSE na eleição de 2018.

Na segunda-feira (1), a vice procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, enviou parecer ao  STF na qual pediu o arquivamento do inquérito. Nessa peça do processo, ela renovou o papel de advocacia de defesa de Bolsonaro que a instituição assumiu sob gestão de Augusto Aras. Além disso, elevou o tom contra Alexandre de Moraes, afirmando que o ministro “afronta ao sistema constitucional acusatório”.

Na gaveta

Mostrando extremo desagrado, a vice de Aras afirmou que a PGR é “instância definitiva” e, portanto “não se sujeita a controle revisional de seu arquivamento de apuratório”.

No entanto, a PGR contraria relatório da delegada da Polícia Federal (PF) Denisse Dias Ribeiro. A policial conclui que Bolsonaro teve participação “direta, voluntária e consciente” no vazamento dos dados em agosto de 2021. Portanto, que o presidente cometeu um crime. A acusação inclui o deputado Filipe Barros (PL-PR), que acompanhou os argumentos de Bolsonaro na live em que fez as acusações.