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Americana: Estamos aliviados’, diz parente de vítimas após condenação de réu que matou 4 pessoas da mesma família

Redação
Escrito por: Redação
Júri condenou Celso Pereira de Assis a 71 anos de prisão. Ele confessou que matou a família Tempesta em 2009 por causa de uma dívida de R$ 16 mil.

A cunhada do empresário Robson Tempesta afirmou na noite desta quinta-feira (14) que os familiares estão aliviados após a condenação do mecânico Celso Pereira de Assis, que confessou ter matado Robson, Ana Paula e as duas filhas do casal, que tinham 8 e 1 anos. Assis foi sentenciado a 71 anos de prisão pelo júri popular realizado em Piracicaba (SP). O crime ocorreu em 2009 em Americana (SP).

Maria das Graças Rodrigues, cunhada de Robson, acompanhou o julgamento no Fórum de Piracicaba e deu entrevista ao repórter da EPTV, Paulo Augusto, após a decisão ser proferida.

“Agora vamos aliviar. Estamos aliviados, eu tenho certeza que sim. Eles lá [família] que estão em casa acompanhando. Estamos aliviados”

O júri popular condenou Assis a 71 anos, 11 meses e 29 dias de prisão em regime fechado. A sentença saiu nesta quinta-feira (14) após nove horas de julgamento. Antes de Assis, outros dois réus foram condenados pelo crime contra a família de Americana (SP).

“[Foi] díficil para todos nós. Minha sogra está doente, meu sogro [que morreu em 2016] ficou doente, meu marido [irmão de Robson] está doente, todos nós estamos doentes devido a essa tragédia que aconteceu”, disse a cunhada de Robson.

O mecânico, que prestou depoimento de menos de 10 minutos nesta quinta, foi condenado por quatro homicídios, sendo três duplamente qualificados e um triplamente qualificado. O julgamento começou 9h e terminou por volta de 18h. Outros dois réus já tinham sido condenados, em 2011, pelo crime contra a família.

Assis confessou que matou a tiros o casal e asfixiou as filhas. Segundo a defesa, o mecânico sofre de esquizofrenia, argumento que foi rebatido pelo promotor do Ministério Público (MP) Luciano Coutinho, responsável pela acusação.

Apesar do alívio da família, Coutinho afirmou que vai recorrer da decisão porque acredita que Assis deveria ter pegado pena máxima, o que representaria 120 anos de prisão.

O julgamento

Durante todo o dia, defesa e acusação se pronunciaram e dois investigadores da Polícia Civil foram ouvidos. Assis também deu um breve depoimento, que durou cerca de 10 minutos. Ele disse não se lembrar de nada e afirmou que toma remédios psquiátricos.

A argumentação da defesa de Assis é de que ele sofre de doença psiquiátrica. O advogado João Batista de Lima Rezende afirmou, ao se dirigir aos jurados, que este era um caso de demanda camisa de força, e não algemas. Segundo Rezende, o réu sofre de esquizofrenia.

Já o promotor Luciano Coutinho argumentou que Assis teve plena consciência de seus atos após os crimes, o que o torna imputável. Segundo Coutinho, o réu matou os pais e decidiu executar também as crianças para não ser reconhecido.

Robson foi uma das vítimas do crime, que aconteceu em 2009 (Foto: Arquivo/EPTV)

Robson foi uma das vítimas do crime, que aconteceu em 2009 (Foto: Arquivo/EPTV)

O crime

Em 14 de janeiro de 2009, Robson e Ana Paula Tempesta foram mortos a tiros, dentro do escritório em que trabalhavam, em Americana. Robson possuía uma firma de locação de veículos utilizados em exibições de destruição de carros em eventos, como rodeios.

Segundo as investigações, o mecânico de 44 anos Celso Pereira de Assis, réu confesso dos crimes, foi até o local com Bruno Palumbo, que também trabalhava na empresa, para cobrar uma dívida de R$ 16 mil.

Após matar o casal com 15 tiros, Assis pegou as duas filhas da família Tempesta, então com oito anos e um ano e meio, e as levou até a casa da sua mulher, Fabiane dos Santos Pinheiro, em Campinas (SP), na companhia de Palumbo.

Ambas foram mortas por asfixia e encontradas às margens da Rodovia do Açúcar, em Elias Fausto (SP), na manhã do dia seguinte.

Ana Paula, esposa de Robson (Foto: Arquivo/EPTV)

Ana Paula, esposa de Robson (Foto: Arquivo/EPTV)

A defesa de Assis chegou a pedir absolvição do réu, alegando que o mecânico era imputável, por ter problemas de insanidade mental. O TJSP determinou que fosse realizado um exame para verificar a saúde mental do acusado e após o resultado, o TJSP decidiu que o réu fosse submetido a júri popular.

Outras condenações

Em dezembro de 2011, os outros dois acusados de participação na morte foram submetidos ao tribunal de júri em Piracicaba. Na época, Bruno Palumbo foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão e Fabiane dos Santos Pinheiro a 24 anos, 10 meses e 20 dias de prisão.

A promotoria pediu a condenação baseando-se na contradição nos depoimentos dos réus. Durante o julgamento, o promotor Guimarães Júnior exibiu aos jurados um vídeo em que Palumbo prestava depoimento à polícia. Em nenhum momento, o acusado falou que recebia ameaças do mecânico Assis, réu confesso dos crimes, diferentemente do que defendeu em depoimento anterior.

Já Fabiane disse que as crianças foram levadas de sua casa com vida e durante as duas horas em que esteve com elas, não houve como se comunicar, pois Assis, seu marido na ocasião do crime, teria levado os aparelhos telefônicos, e tampouco pode sair, já que a casa estaria trancada.

“Ela mentiu. Ela e o Celso se falaram pelo telefone durante estas duas horas. E ainda que estivesse trancada, poderia ter pedido ajuda”, rebateu o promotor à época, que também negou fragilidade no caso. “Há inúmeras provas nos autos. A defesa quase sempre alega isso. Se há um laudo, pedem outro, sempre na tentativa de desqualificar a acusação”, disse.

Imagem Capa:  Reprodução / EPTV

Com informações do G1

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