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Araraquara: Famílias despejadas de acampamento vivem ao lado de linha do trem e em situação precária

Redação
Escrito por: Redação
Cerca de 80 moradores do antigo Novo Horizonte vivem em área improvisada e esperam decisão judicial. Prefeitura diz que eles não quiseram ir para abrigo provisório.

Cerca de 80 famílias estão há 15 dias acampadas de forma precária ao lado da linha do trem na entrada do Distrito de Bueno de Andrada, em Araraquara (SP). Elas tiveram que sair do acampamento Novo Horizonte onde moravam, na área rural de Matão, após a reintegração de posse concedida pela Justiça.

“A gente tinha horta, farinheira, porcos, galinhas. A gente mesmo se sustentava, vendia o que produzia e não precisa de cesta básica e não estava nessa situação que está aqui hoje”, disse a líder do movimento, Gabriela Delarica.

Pessoas de todas as idades estão morando em barracas doadas. A alimentação também é feita com doações e verduras de uma horta que eles montaram.

Frio e riscos em linha do trem

O produtor rural Célio Sérgio Soares está vivendo na área com as três filhas e a mulher. Eles têm enfrentado muitas dificuldades. “O frio de madrugada, está difícil para elas. Os adultos ainda aturam, mas o problema são as crianças”, afirmou

A subprefeitura de Bueno de Andrada liberou o banheiro da estação de trem para que eles possam tomar banho, mas é preciso atravessar a linha férrea. “É um risco atravessar a linha férrea com criança. De madrugada tem que levar no banheiro”, disse Célio.

Na terça-feira, um incêndio destruiu a área perto de onde eles estão alojados. Não se sabe como o fogo começou, mas o incidente aumentou a sensação de insegurança dos assentados, que não sabem como será o futuro.

Pedaço de terra

Os assentados sentem falta de trabalhar no campo e o que mais querem é um pedaço de terra. O agricultor Argeu Benedito Rodrigues plantava mandioca, milho e verduras. Também criavam porcos e galinhas. Hoje, o que sobrou foram algumas peças de roupa e o carro.

A produtora rural Conceição Sabino viu mais de 500 mudas de pitaya que ela plantou serem derrubadas. Agora não tem mais nenhuma fonte de renda.

“Dói muito na gente. Todo mundo tinha seu cantinho, suas plantações e conseguia vender na cidade. Nós precisávamos só da nossa mão de obra para trabalhar ali”, lamentou.

E eles não têm nem ideia de quando vão conseguir sair do local. “A gente está aguardando o julgamento no STJ em São Paulo. A gente precisa de uma solução porque a gente não pode ficar como está. A gente reivindica voltar para a nossa terra para que a gente possa produzir e viver em paz”, afirmou Gabriela.

Assistência social

A Prefeitura de Araraquara informou que as famílias foram inseridas em programas e serviços do município. Disse ainda que a assistência social chegou a oferecer um abrigo provisório, mas que as famílias recusaram e, depois disso, as equipes continuam acompanhando a situação.

Imagem:  Reprodução/EPTV

Com informações do G1

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