
O caso mais emblemático é de Richard Choque Flores, considerado um feminicida em série, após assassinar 77 mulheres. Flores foi condenado a 30 anos de prisão, mas foi liberado pelo juiz Rafael Alcón em dezembro de 2019. No dia 24 de janeiro, Richard Choque Flores voltou a ser detido e confessou ter assassinado duas adolescentes neste ano e enterrado os corpos no quintal de casa.
Além do juiz Rafael Alcón, o médico que emitiu um laudo usado como base para a sentença de prisão domiciliar de Richard Choque Flores está sendo investigado.
Após a publicização do caso, o governo boliviano decidiu criar a comissão composta por membros do Executivo, Judiciário e Legislativo, no dia 4 de fevereiro, para revisar causas que passaram por um grupo de juízes, promotores e advogados que, segundo investigações, recebiam propina para liberar pessoas com sentenças em execução.
O Conselho de Magistratura da Bolívia determinou a intervenção em todos os 18 tribunais regionais do país para fiscalizar e identificar possíveis irregularidades.
A Bolívia é o país com maior taxa de feminicídio da América do Sul. De acordo com o Observatório de Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), somente em 2020, houve uma média de duas mulheres assassinadas a cada grupo de 100 mil bolivianas.
Segundo dados oficiais, em 2021, foram registrados 108 feminicídios no país. O Ministério Público da Bolívia também revelou que, entre 2013, ano da promulgação da lei nº 348 que tipifica e penaliza casos de violência de gênero, e 2021, foram registradas 45.174 denúncias de abuso e violência doméstica.
O relator especial das Nações Unidas, César Siles, chegou nesta segunda-feira (14) ao país para iniciar trabalhos de fiscalização sobre a independência do Poder Judiciário boliviano.