O Brasil chegou a se reeguer na etapa complementar, criou inúmeras oportunidades e até diminuiu a diferença no placar, com Renato Augusto. O meia entrou em campo quando a equipe melhorava, depois das entradas de Roberto Firmino e Douglas Costa. Este último foi o maior responsável pela pressão exercida sobre a Bélgica.

A mudança da cara da seleção, inclusive, aponta para um dos pontos fracos do trabalho de Tite, que antes da Copa só havia perdido uma partida, para a Argentina, em amistoso disputado em meados de 2017. No geral, houve pouca variação na forma de jogar, e resistência em ter uma alternativa ao 4-1-4-1 que deu certo com ele no Corinthians.

Vale lembrar que o Brasil conquistou vaga no Mundial com grande antecedência, mas poucos jogadores foram testados em partidas por competição, como contra Equador, Colômbia, Bolívia e Chile, disputadas já com passaporte para a Rússia assegurado.

Jogadores como Roberto Firmino e Douglas Costa, que terminaram a temporada em alta, não conseguiram superar Gabriel Jesus e Willian, que não foram bem nos jogos contra Suíça e Costa Rica, os dois primeiros da Copa. O meia-atacante da Juventus, é verdade, teve problemas musculares antes do torneio e também durante.

Nos cinco jogos disputados pelo Brasil, as mudanças sempre foram forçadas. Danilo deu lugar a Fagner por lesão, assim como Marcelo para Filipe Luís, no jogo das oitavas contra o México. Já no duelo com a Bélgica, Casemiro, suspenso, foi substituído por Fernandinho.

As alterações na forma de atuar aconteceram, exclusivamente, no decorrer dos jogos, como o contra a Costa Rica, no qual Firmino substituiu Paulinho, ou no duelo com os mexicanos, em que não foi necessário trocar jogador, mas houve uma mexida no sistema, que passou a ter dois atacantes mais próximos da área, Neymar e Gabriel Jesus.

As opções de banco, inclusive, viraram um calcanhar de Aquiles para Tite, que “abraçou” o grupo que o levou a liderar de forma tranquila as Eliminatórias e passar bem pelos amistosos, inclusive, com vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha. Além dos goleiros Ederson e Cássio, os zagueiros Marquinhos e Geromel, o volante Fred e o atacante Taison não entraram em campo um minuto sequer no Mundial.

Há quatro anos, Luiz Felipe Scolari também recebeu muitas críticas por confiar na base conquistou a Copa das Confederações, sem dar chances ou demorar a apostar em jogadores que estavam em alta, como Miranda, Philippe Coutinho e Diego Costa, optando, por exemplo, por Henrique, Bernard e Jô, que não atravessavam o melhor momento na carreira.

Ao contrário do que se esperava, a seleção brasileira não exibiu um futebol exuberante, o que os estrangeiros gostam de chamar de “jogo bonito”. O máximo que conseguiu foi eficiência no duelo contra os sérvios, que valeu classificação às oitavas, e 45 minutos finais de muito ímpeto na vitória sobre os mexicanos.

A decepção maior acaba sendo não estar na reta final de uma Copa em que as seleções mais badaladas ficaram pelo caminho. Em 2018, pela primeira vez o torneio não terá Brasil, Argentina, Alemanha, Itália ou Holanda na decisão. Dos campeões mundiais, restam apenas França, que já está nas semis, e Inglaterra, que pegará a Suécia, pelas quartas.

A realidade é a que o hexa não virá antes de 2022, quando será realizado o Mundial do Catar. Talvez ainda com Tite no comando, já que se trata do melhor técnico do futebol brasileiro, independente do resultado na Rússia. Que os erros do passado sigam como aprendizado para o futuro.

Bruno Guedes.

Imagem de capa:EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO