Campinas: região tem maior crescimento do PIB do estado

SP-75/Arquivo

A Região Administrativa de Campinas (RA) — que reúne 90 cidades — registrou o maior crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de todo o estado de São Paulo em 12 meses, de outubro de 2020 a setembro de 2021. A alta foi de 9,9%, índice bem superior ao crescimento do PIB nacional (3,9%) e do PIB estadual (7,1%), verificados no mesmo período. No acumulado desses 12 meses, o PIB da região foi de R$ 528,8 bilhões. Estes são os resultados do estudo mais recente divulgado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

O PIB reflete a soma de todos os bens e serviços produzidos numa região, estado ou País.

O desempenho mostra a força da RA de Campinas na economia paulista, pois a região é a segunda mais importante economicamente para o estado de São Paulo, atrás apenas da Região Metropolitana de São Paulo. Ela teve uma participação de 18,5% do total do PIB estadual, equivalendo a R$ 146,26 bilhões no terceiro trimestre de 2021, o melhor desempenho do ano. No primeiro trimestre do ano passado, o valor foi de R$ 122,55 bilhões, chegando a R$ 132,16 bilhões nos três meses seguintes.

A Seade aponta que todas as RA’s paulistas registraram crescimento no acumulado de 12 meses.

Após a RA de Campinas, as regiões que tiveram maior crescimento no período de outubro de 2020 a setembro de 2021 foram: Bauru (9,7%), Sorocaba (9,6%), São Paulo (6,6%) e Araçatuba (6,4%). A RA de Ribeirão Preto fechou o top 5 de melhor desempenho (6,3%). No acumulado de 12 meses, o menor crescimento foi na Região Administrativa de Franca, alta de 2,4%.

Portanto, o estado de Paulo apresentou resultado positivo no acumulado de 12 meses, com crescimento de 7,1%. No período de outubro de 2020 a setembro de 2021, o setor industrial teve o melhor desempenho, com alta de 8,1%, seguido pelo setor de serviços, 7,2%. Já o segmento da agropecuária fechou com -3,9%, o único a ter resultado negativo.

Desempenho positivo

No último trimestre analisado pela Fundação Seade – julho, agosto e setembro de 2021 –, a Região Administrativa de Campinas teve crescimento de 0,9%. Foi uma das três únicas regiões do estado de São Paulo com resultado positivo. De acordo com o órgão, das 16 RA’s paulistas, apenas as de Campinas, Santos e Ribeirão Preto apresentaram crescimento do PIB.

No 3º trimestre de 2021, o maior crescimento foi registrado na RA de Ribeirão Preto: de 1,2%. Porém, essa Região Administrativa, formada por 25 municípios, teve um PIB de R$ 18,92 bilhões, o que representou 2,6,% do total do estado. A RA de Santos, composta por nove cidades, ficou em segundo lugar, com alta de 1%, somando R$ 20,32 bilhões no terceiro trimestre do ano passado – participação de 2,8% no Produto Interno Bruto paulista.

Essas Regiões Administrativas foram na contramão do desempenho do estado, que teve uma queda de 0,6% no PIB, com um PIB total de R$ 732,3 bilhões. Treze regiões registraram queda no PIB no terceiro trimestre de 2021, A maior redução ocorreu na RA de Marília: -6,3%. Ela está em 10º lugar na formação do Produto Interno Bruto do estado, com o valor de R$ 10,87 bilhões.

A Região Metropolitana de São Paulo, com participação de 53,4% no PIB paulista, teve queda de 0,8%. Mesmo com o desempenho negativo, ela somou R$ 374,3 bilhões no terceiro trimestre de 2021.

A performance positiva na RA de Campinas foi puxada principalmente pelo setor industrial, com alta de 10,8%. Já o setor de serviços ficou em segundo lugar, com alta de 9,3%.

O setor da agropecuária foi o único da Região Administrativa de Campinas que apresentou queda no terceiro trimestre de 2021. De acordo com a Fundação Seade, entre julho e setembro, esse segmento teve um desempenho de -10,1%.

O setor de serviços foi o que apresentou o maior valor acumulado no terceiro trimestre de 2021, R$ 438,77 bilhões, seguido por indústria (R$ 150,66 bilhões) e agropecuária (R$ 20,8 bilhões).

Perfil econômico

Para o economista Paulo Oliveira, professor e membro do Observatório-PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica), o crescimento registrado na RA de Campinas é resultado da estrutura produtiva da região. Ele explica que aproximadamente 67% do PIB de Campinas é composto pelo setor de serviço e outros 32% pela indústria, justamente os setores que puxaram a alta tanto na região quanto no estado. Já o segmento de agropecuária tem participação de apenas 1%, o que explica o baixo impacto no indicador econômico,

“Essa composição favorece regiões como a nossa”, explica o economista. Em todo o País, “a agricultura está em queda, o setor de serviços está em recuperação e o da indústria em estagnação”, completa. Oliveira acrescenta ainda que a avaliação positiva de 2021 é em comparação a 2020, quando a economia brasileira foi fortemente afetada pela pandemia de covid-19 e teve um desempenho ruim.

O integrante do Observatório-PUC aponta ainda que, apesar do crescimento no ano passado, o desempenho está abaixo ao de 2014, quando teve início a atual crise econômica brasileira. “A economia se recuperou em 2021, mas não retornou ao patamar de crescimento de 2014”, afirma o economista.

Na visão do professor Paulo Oliveira, o Brasil deve fechar 2021 com alta de 4,5% no PIB, enquanto São Paulo deverá ter crescimento médio de 6,2%.

Para ele, a perspectiva para 2022 “é de estagnação” econômica do País em virtude do surgimento da variante ômicron da covid-19 e de “ser um ano político, em que dificilmente as coisas andam”. Esses fatores dificultam novos investimentos e terão reflexos na atividade econômica.

Variedade de atividade favorece

O diretor titular do Ciesp-Campinas (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), José Henrique Toledo Corrêa, considera que “o acumulado positivo de 9,9% do PIB da Região Administrativa de Campinas nos últimos 12 meses mostra a importância de termos uma região multissetorial pois, justamente por essa razão, manteve esse crescimento”.

Ele explica que a atividade econômica da região já vinha em alta desde 2020, após a queda verificada no início da pandemia de covid-19, e se manteve no ano passado. Para ele, o fato de Campinas ter uma forte atividade exportadora em função do Aeroporto Internacional de Viracopos, maior aeroporto de carga do País, favorece o desempenho da economia.

Outro aspecto positivo é a diversidade das atividades industriais, que resulta em melhor desempenho econômico da região. No caso de Santos, Corrêa avalia que as exportações via Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, também têm impacto no resultado do PIB. “Além das exportações serem através do porto, muitas empresas estão sediadas em Santos”, afirma.

Já o desempenho da região de Ribeirão Preto, acrescenta, reforça a fama de ser a “Califórnia brasileira”, uma região rica com grande atividade industrial e uma forte atividade agropecuária, segmentos que estão garantindo o crescimento econômico do País nos últimos anos.