Jogar contra uma equipe sem pretensões no torneio fatalmente será decisivo na chave, já que a outra partida colocará frente a frente Portugal e Irã, que devem se matar pela outra vaga. Enquanto só a vitória interessa aos iranianos, que têm três pontos, espanhóis e portugueses possuem quatro e dependem apenas de um empate.

Mesmo ainda existindo a pequena possibilidade de eliminação, o foco do time de Fernando Hierro é finalmente conseguir uma vitória tranquila no torneio, que faça jus ao favoritismo da seleção e afaste de vez o fantasma da crise proporcionada pela saída do técnico Julen Lopetegui às vésperas da abertura da competição.

O palco da partida é alvo de preocupação para a Fifa por causa do gramado irregular e, por conta disso, nenhum dos dois times foi liberado para fazer o reconhecimento no dia anterior ao duelo. Esta condição nada ideal pode ser um desafio a mais para a ‘Roja’, que tem seu jogo baseado no toque de bola.

A primeira colocação do grupo é um alvo factível, sendo necessária aos espanhóis uma vitória por uma boa margem de gols ou até mesmo um empate, caso o outro jogo termine em igualdade. Seria uma boa volta por cima dos campeões mundiais de 2010, que caíram na primeira fase na edição de 2014, além de possivelmente garantir um lado de chave mais “amigável” no mata-mata, diante das campanhas irregulares de Alemanha e Argentina.

A Espanha chega para este compromisso trazendo uma sequência de 22 jogos sem derrota, com 15 vitórias e 65 gols marcados. Mas os dois últimos sob o comando de Hierro, exatamente na Copa, expuseram algumas fragilidades defensivas e dificuldades de criação de jogadas perigosas que colocam em xeque o tal favoritismo.

Diego Costa, autor de nove dos últimos 12 gols espanhóis, três dos últimos quatro da equipe no Mundial, é o herói que vem evitando os maus resultados. Por isso, mesmo enfrentando um adversário já eliminado, ninguém no elenco considera um desafio ganho.

“Uma equipe que não tem medo de nada é muito perigosa”, alertou Saúl Ñíguez em entrevista à Agência Efe.

Apesar da falha na estreia e da desconfiança da torcida, o goleiro David de Gea foi titular contra o Irã e permanecerá na meta. Koke provavelmente retornará à titularidade, com Lucas Vásquez voltando ao banco ou dando descanso a David Silva ou Andrés Iniesta.

O Marrocos jogará para marcar o primeiro gol na Copa e quem sabe surpreender fazendo um ponto, o que finalizaria a campanha dos africanos de forma bastante honrosa. O time foi eliminado ao perder duas partidas pelo placar mínimo, jogando pra frente e pressionando Irã e Portugal na maior parte do tempo.

O 5-4-1 do técnico Hervé Renard se mostrou adequado para o time, com marcação alta e recuo em velocidade. Resta melhorar, no entanto, a segurança na bola aérea, de onde saíram os dois gols tomados até aqui: o contra de Aziz Bouhaddouz, nos acréscimos diante do Irã, e de Cristiano Ronaldo, no início do confronto com os portugueses.

Existem várias dúvidas em torno do time titular marroquino, especialmente nas laterais. É quase certo que Nordin Amrabat ocupará uma das vagas, na esquerda, enquanto que a da direita será disputada por Achraf, Mandyl e Dirar.

No ataque, Renard optou por Kaabi na estreia e Butaieb no segundo jogo. Tudo indica que a boa atuação do último possa garantir a titularidade na despedida da seleção na Copa.

Prováveis escalações:.

Espanha: De Gea; Carvajal, Sergio Ramos, Piqué e Alba; Koke, Busquets, David Silva, Iniesta e Isco; Diego Costa. Técnico: Fernando Hierro.

Marrocos: Munir; Dirar, Benatia, Da Costa e Nordin Amrabat; El Ahmadi, Ziyach, Belhanda, Boussoufa e Harit; Boutaieb. Técnico: Hervé Renard.

Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão), auxiliado pelos compatriotas Abduxamidullo Rasulov e Jakhongir Saidovl.

Estádio: Kaliningrado, em Kaliningrado.