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GIN – A bebida da moda

Tom Nishi
Escrito por: Tom Nishi

Por Tom Nishi – De uma hora para outra, todo mundo – especialmente as mulheres – está bebendo drinques de gim. E isso não é só no Brasil: no mundo inteiro a bebida virou moda, a ponto de abrirem estabelecimentos especializados em oferecer suas diversas variedades. Sua origem remonta à Idade Média, quando monges italianos acrescentavam bagas de zimbro (que é originário da Toscana) ao destilado de vinho, ou grappa. Devido às propriedades medicinais atribuídas à especiaria, durante a Peste Negra, no século XIII, tentaram, em vão, usar essa mistura como remédio para combater a praga.

Foi no século XVII, que o médico e professor, Francisco de la Boie, conhecido como Sylvius, pesquisava um remédio diurético que amenizasse problemas renais. Para isso juntou o zimbro a um destilado neutro de cereais, semelhante à vodka, e completou o que mais tarde seria conhecido como gim. O nome é uma corruptela das variantes genever (zimbro em holandês), genievre (no francês) e ginepro (em italiano). Saboroso, perfumado e barato, o tal remédio caiu no gosto popular. Os soldados britânicos que lutavam nas guerras europeias do século seguinte, adotaram a bebida para dar coragem e combater o frio e levaram o gim para a Inglaterra, onde se popularizou.

Com invenção do alambique contínuo, passou a ser produzido em larga escala e logo ser tornou mais barato que a cerveja. O escritor Daniel Defoe, autor de “As Viagens de Gulliver”, escreveu, em 1727, que mais da metade dos estabelecimentos de bebida de Londres se dedicavam ao gim. A alta procura criou uma indústria de falsificação da bebida, causando um problema de alcoolismo entre a população mais pobre, fazendo com que ela ganhasse má fama e se associasse ao aloolismo, assim como a cachaça no Brasil e o saquê no Japão. Os gins do tipo London Dry são os mais famosos no mundo. A destilação em modo contínuo resulta numa bebida leve e aromática que compões drinques como dry matini e gim tônica. Já na Holanda ele é mais encorpado por ser destilado em alambique do tipo pot consumido gelado e puro como aperitivo.

Os alemães o chamam de steinhager e o consomem como um digestivo pós-refeição. Uso medicinal e James Bond No auge do Império Britânico – aquele em que o sol nunca se punha – oficiais do Exército de Sua Majestade misturavam açúcar e quinino na água para combater a malária nas colônias, especialmente na Índia. Como a beberagem continuava muito amarga, resolveram acrescentar gim e criaram o Gim Tônica. O Dry Martini, outro famoso drinque à base do destilado, reúne uma dose de gim para algumas gotas de vermute (em geral, o francês Noilly Pratt). Sua origem é controversa, sendo que a mais glamorosa é que foi criado em 1910 pelo bartender Martini de Amitiggia no Knckerboxer Hotel, em Nova York, para atender John D. Rockfeller, então, o homem mais rico do mundo.

No entanto, já em 1884, o “Modern Bartender’s Guide”, de O.H. Byron, já trazia a receita de um coquetel doce chamado Martinez, que era um Manhattan que trocava o uísque pelo gim. No filme “007 contra Dr. No” 1962, o James Bond de Sean Connery popularizou uma variante do Marttini, que usava a vodka no lugar do gim, e que devia ser preparado “batido, não mexido” (shaken, not stirred), frase que se tornou marca registrada do mais famoso agente secreto do mundo. Em sua estreia no papel, em “Cassino Royale”, de 2006, Daniel Craig ressuscita a versão Vesper Martini, citada no romance original de Ian Fleming, e que levava três medidas de gim Gordon’s, uma de vodka, meia de Kina Lillet, batida e decorada com uma fina casa de limão. Segundo representantes da indústria do Reino Unido, a cena impulsionou o consumo de gim no país.

Imagens: reprodução

Sobre o autor

Tom Nishi

Tom Nishi

Barbeiro, coaching e empresário. Proprietário da B4Alpha Barbeeshop e Nishi Hair.

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