Indaiatuba

Greve dos caminhoneiros com manifestações, bloqueios e reflexos na saúde; veja o que acontece em Indaiatuba e região

Redação
Escrito por: Redação

As manifestações populares, sem a participação de caminhoneiros, provocaram bloqueios em trechos das rodovias D. Pedro I, Santos Dumont e Miguel Melhado de Campos, em Campinas, durante a noite. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar os protestos.

Durante o dia, exército e forças de segurança foram às ruas para garantir a entrada e saída de caminhões com combustíveis da Replan – o suprimento é destinado ao abastecimento do Aeroporto de Viracopos e serviços essenciais de municípios da região.

Na Replan, caminhoneiros mudaram a tática no final da manhã e passaram a parar os comboios que saem da refinaria escoltados pela PM. Eles checam se o combustível é mesmo para serviços essenciais.

De acordo com a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), é estimada uma perda de R$ 1,1 bilhão do setor na primeira semana da greve.

Em Campinas, a prefeitura anunciou que todos os serviços funcionam normalmente nesta segunda, sendo que há restrição apenas no transporte público, que tem 50% dos coletivos nas ruas. Houve registro de filas nos principais terminais de ônibus nos horários de pico.

A greve dos caminhoneiros também afeta as viagens no Terminal Rodoviário Ramos de Azevedo, em Campinas. As empresas afirmam que os passageiros precisam ir aos guichês para informações.

Veja os reflexos na região nesta segunda-feira

Protestos em rodovias

Grupos de manifestantes, sem a participação de caminhoneiros, realizaram atos em rodovias de Campinas na noite desta segunda. Foram feitos bloqueios na D. Pedro I, na altura do km 134; no km 66 da Santos Dumont, próximo ao entroncamento com a Miguel Melhado e na saída de Viracopos. A Polícia Militar foi acionada e acompanha os protestos.

Transplante suspenso

O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp suspendeu um transplante de fígado nesta segunda-feira (28) por causa da limitação de bolsas de sangue. O órgão foi destinado a outro hospital do Estado.

Com a greve dos caminhoneiros, o Hemocentro de Campinas (SP), com sede na Unicamp, registra queda de 20% nas doações.

Hemocentro da Unicamp, em Campinas, precisa de doações, pois registrou queda por conta da greve dos caminhoneiros (Foto: Vagner de Castro)

Hemocentro da Unicamp, em Campinas, precisa de doações, pois registrou queda por conta da greve dos caminhoneiros (Foto: Vagner de Castro)

Cirurgias eletivas

A superintendência do HC suspendeu suspendeu até quarta-feira (30) consultas, internações, cirurgias, procedimentos ambulatoriais e exames eletivos “em decorrência do desabastecimento geral ocorrido em função da greve dos caminhoneiros em todo o Brasil.”

Segundo o HC, as consultas ambulatoriais tiveram uma queda média de 50% nesta segunda.

Saúde

Desde sábado o HC restringiu os atendimentos de urgência e emergência. Segundo o hospital, serão avaliados os “casos extremamente graves”. Em nota, a unidade informa que os setores de urgência referenciada adulto e pediátrica estão lotados. O hospital descartou relação com a greve dos caminhoneiros para a decisão.

Com a restrição do atendimento, o HC emitiu alertas ao Samu, sistema de regulação de vagas do Estado (Cross), e unidades de resgate do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e de concessionárias de rodovias que atuam na região.

Prejuízo de R$ 1,1 bilhão

A Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) prevê perdas de R$ 1,1 bilhão com a greve dos caminhoneiros na primeira semana do movimento. Um dos principais prejuízos é referente a indústria.

Ações das forças públicas

Caminhões-tanque e de transporte de gás deixaram a Refinaria de Pauilínia nesta manhã. As cargas foram escoltadas pela Polícia Militar. A Replan e a BR Distribuidora informaram no início da tarde que não vão informar para onde estes combustíveis foram.

Escolta do Exército

O Exército de Campinas informou que, ao todo, nove caminhões saíram escoltados da Replan nesta segunda – oito para abastecer as aeronaves no Aeroporto de Viracopos e um para a cidade de Indaiatuba, que vai abastecer ambulâncias, viaturas da Guarda Municipal e outros veículos essenciais, como ônibus para escolas, creches, etc.

A Guarda Municipal de Indaiatuba vai escoltar o caminhão-tanque de Viracopos para a cidade

Viracopos recebe mais seis carretas de combustível para abastecimento de aviões

Viracopos recebe mais seis carretas de combustível para abastecimento de aviões

Viracopos

Com as remessas de combustíveis recebidas entre domingo e esta segunda, o Aeroporto Internacional de Viracopos possui querosene suficiente para a manutenção das operações de voos até as 10h desta terça-feira.

A justificativa é que os aviões estão saindo de Campinas completamente abastecidos porque não têm como abastecer nos aeroportos de destino, e precisam ter querosene suficiente para retornar a Viracopos.

Voos cancelados

A companhia aérea Azul cancelou nesta segunda 51 voos, entre chegadas e partidas, em Viracopos. Em nota, a companhia destacou que considera a operação normal porque adota desde a semana passada um plano de contingência para cancelamento programado de parte das operações.

“Os clientes já foram reacomodados em outras operações”, diz texto.

Bloqueios em rodovias

Apesar de o governo federal anunciar que vai reduzir o litro do diesel em R$ 0,46 por 60 dias, caminhoneiros continuam mobilizados na Rodovia Zeferino Vaz, em Paulínia, e na João Beira, em Amparo.

Na Rodovia Santos Dumont (SP-075), manifestantes fizeram uma ato na altura do Parque Oziel, em Campinas. Eles atearam fogo em pneus e galhos para impedir o trânsito de veículos. A Polícia Rodoviária fez bloqueios para deviar o trânsito. A PM e a Guarda Municipal fizeram prisões.

Polícia Rodoviária faz bloqueio na Rodovia Santos Dumont, em Campinas, devido a protesto (Foto: Johnny Inselsperger/EPTV)

Polícia Rodoviária faz bloqueio na Rodovia Santos Dumont, em Campinas, devido a protesto (Foto: Johnny Inselsperger/EPTV)

Combustíveis

Em Campinas, o G1 constatou postos de combustíveis fechados nas avenidas Lix da Cunha, Saudade e Engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza. Eles não receberam remessas nos últimos dias.

A segunda foi de longas filas em um estabelecimento às margens da Rodovia Jornalista Francisco Aguirre (SP-101), em Hortolândia (SP). O local chegou a receber 60 mil litros no domingo, mas eles acabaram às 17h30. Alguns motoristas passaram a madrugada e a manhã no local à espera de abastecimento, que não ocorreu.

Replan

No oitavo dia de greve dos caminhoneiros, funcionários da Replan iniciaram um protesto em apoio ao movimento dos caminhoneiros nesta segunda-feira (28).

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros Unificados (Sindipetro-Unificado), os funcionários administrativos entraram na refinaria às 10h, com duas horas de atraso.

Funcionários da Replan na porta da refinaria, em Paulínia (Foto: Maycon Soldan/Sindipetro Divulgação)

Funcionários da Replan na porta da refinaria, em Paulínia (Foto: Maycon Soldan/Sindipetro Divulgação)

Antes, eles ficaram na porta de entrada dos ônibus fretados para conversar com os funcionários da refinaria.

Ainda segundo o Sindipetro, os trabalhadores do turno da meia noite não foram rendidos na noite passada e os que estavam lá permanecem na refinaria. São 65 trabalhadores, com turno de oito horas. A troca de turno deve ocorrer normalmente nesta tarde, informou o sindicato dos petroleiros.

A Petrobras confirmou no início da tarde que ocorreu um atraso no turno, mas não deu detalhes. A empresa disse também que a refinaria está em operação normalmente.

Educação

Unicamp e a PUC-Campinas anunciaram a suspensão das atividades acadêmicas desta terça-feira (29), por conta dos reflexos causados pela greve nacional dos caminhoneiros. Entre as outras unidades de ensino afetadas pela mobilização nacional estão a Facamp, UniMetrocamp Wyden, Anhanguera e a USF.

Na educação básica, dez das 206 escolas de Campinas não funcionaram na tarde desta segunda. A Prefeitura divulgou a suspensão das aulas nas escolas municipais nesta terça (29) e quarta (30).

“Estes dois dias serão repostos no calendário escolar, ao longo deste ano, garantindo assim os 200 dias letivos, conforme previsto em lei”, diz a nota.

Alimentos

O mercado de hortifrutigranjeiros e de flores na Ceasa Campinas segue com reflexos nesta segunda-feira, oitavo dia de greve dos caminhoneiros. Apenas 70 dos 3,5 mil caminhões diários chegaram ao entreposto.

No mercado de hortifrutis, a disponibilidade de produtos e frutas é de 15% da oferta normal, que é de 3,5 mil a 4 mil toneladas/dia.No mercado de flores, a oferta é de 5% do total diário de 400 toneladas. Ainda segundo a Ceasa, a demanda de clientes é perto de zero em ambos os mercados.

Supermercado em Valinhos

A greve dos caminhoneiros causa desabastecimento em supermercados na região de Campinas. Em Valinhos, há falta de feijão e alguns tipos de hortaliças e legumes. A prateleira onde fica o arroz está com vazios, pela falta de alguns tipos deste alimento.

Bancada de legumes em supermercado de Valinhos (Foto: Fernanda Zanetti/EPTV)

Bancada de legumes em supermercado de Valinhos (Foto: Fernanda Zanetti/EPTV)

Cartaz avisa aos comerciantes sobre a falta de produtos em supermercado de Valinhos (Foto: Fernanda Zanetti/EPTV)

Cartaz avisa aos comerciantes sobre a falta de produtos em supermercado de Valinhos (Foto: Fernanda Zanetti/EPTV)

Serviços em Campinas

A Prefeitura de Campinas (SP) informou que os serviços municipais estão mantidos e sem restrição nesta segunda (28).

Dos centros de saúde do município, apenas o do Parque Oziel ficou fechado nesta segunda após atos de vandalismo. “A unidade precisou interromper os atendimentos porque foi apedrejada durante protesto que fechou a rodovia Santos Dumont. O fechamento foi necessário para garantir a segurança dos usuários e funcionários”, informou o governo, em nota. As demais unidades funcionaram normalmente.

Hospitais, ambulâncias, Guarda Municipal e coleta de lixo operam normalmente. A única restrição é do transporte coletivo, que opera com 50% da frota (escala de domingo).

Saneamento

O Departamento de Água e Esgoto de Valinhos (Daev) emitiu nota em sua página social oficial pedindo para os consumidores economizarem água . Segundo a empresa, pode ocorrer problemas no tratamento de água devido a greve dos caminhoneiros, que dificulta a chegada de insumos para o tratamento. No momento, os sistemas de água e esgoto permanecem sem interrupções.

A Sanasa e a BRK Ambiental, que operam em Campinas e Sumaré, respectivamente, disseram que a distribuição de água segue normal. Em Sumaré, a empresa informou que os carros de manutenção atendem apenas urgências e emergências. Com informações do G1

Imagem de capa; Reprodução/El Pais

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