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Gritar com os filhos não soluciona problemas

Jane Rezende
Escrito por: Jane Rezende

Durante o processo educacional muitos pais referem ter dificuldades de  orientar os filhos e de fazerem eles obedecerem, dificuldades que esses filhos tem de compreender o cansaço deles pais e do que é necessário fazer em determinado momento, e sendo assim há momentos que a única atitude que conseguem ter é gritando, tendo então um retorno para eles pais positivo de obediência da criança.

A frustração acontece então tanto do lado como pais, como em relação ao comportamento desse filho o qual é sempre esperado a forma que se acha correta e ou certa.

Não devemos esquecer que os adultos, já em processo de maturidade, também não conseguem fazer tudo correto como tem que ser. Não consegue muitas vezes controlar a própria emoção, não aprendeu que no processo de ensino o exemplo fala mais alto, não consegue superar algumas fraquezas; assim acontece com a criança, mas devemos lembrar que esta está iniciando um processo de desenvolvimento e crescimento psicoemocional.

Esse comportamento pode provocar durante a infância implicações no desenvolvimento da personalidade, emoção e saúde da criança.

Educar é um processo trabalhoso como tudo na vida, e requer dedicação, doação de tempo, transformações comportamentais, pois, os pais se tornam o primeiro e grande exemplo dos filhos.

É comprovado que durante a infância onde seu cérebro está formado mas em amadurecimento, as emoções provocam o desenvolvimento funcional  e físico de acordo com o que se vive, vê e sente.

A plasticidade do cérebro para o bom ou ruim desenvolvimento emocional inicia-se então na vida intrauterina e vai desenvolvendo-se após o nascimento de acordo com as experiências vividas.

Logo, gritar com o filho pode momentaneamente resolver um problema, mas a longo a prazo pode tornar o comportamento ainda pior, se tornando assim o ciclo vicioso prejudicial para o contexto familiar.

Estudos mostram que comportamentos agressivos com a criança, na ressonância magnética, ocorre diferença na arquitetura cerebral na localização responsável pelos sons e linguagem.

Há correlação com adultos que apresentam problemas psicológicos com abusos verbais e emocionais sofrido na infância, e encontra-se hoje adolescentes e crianças precocemente depressivas e com ansiedade, podendo levar a comportamentos autodestrutivos, risco para uso de drogas, prejuízo no aprendizado.

Outro efeito negativo desse comportamento é prejuízo precoce na saúde das crianças podendo levar a alterações alimentares, estresse precoce, dores de cabeça, dores crônicas.

Logicamente que deve ocorrer firmeza no processo educacional, orientação de um melhor caminho, compreensão do que está acontecendo no momento com essa criança, o que ela está querendo falar.

Qual fase seu filho se encontra? A da birra? A da teimosia? Dos questionamentos?

Qual idade cronológica, emocional e mental ele se encontra? O que se exigido esse (a) filho(a) já amadureceu o suficiente?

Educar não é fácil, mas se torna um compromisso com a chegada desse filho, portanto segue algumas dicas:

Assuma o compromisso de falar todos em família com respeito. Há probabilidade de nem sempre ser assim, mas, tentem sempre e a cada dia.

Como adultos e pais está em nossas mãos ensinar através de nosso comportamento, e um dos ensinamentos é o controle das próprias emoções, e requer tempo e esforço.

Existem fases de desenvolvimento da vida, logo a criança precisa ser criança. Criança não é um adulto pequeno.

Se vocês pais tiveram um dia ruim, a criança não tem como compreender ainda coisas do mundo dos adultos. Relaxem, respirem, se observem, tenham um momento par vocês para que a pressão e o estresse no mínimo diminuam. Isto é se auto observar e fazer um pouco para vocês também.

Mostre empatia, com o sofrimento, as dúvidas de seu filho. Ensine-os para que eles compreendam o que acontece e assim gradativamente eles aprenderão a trabalhar as próprias emoções, melhorando o comportamento.

Tratar o filho com respeito, esse respeito de vida se inicia no lar. Com esse aprendizado ele se sentirá amado, honrado por ter nascido em sua família.

Em momento de raiva ou fúria não tome nenhuma atitude. Acalme primeiro suas emoções.

Encontre sua própria sabedoria, educando com exemplo, controlando emoções, atitudes firmes com amor. Educar requer sabedoria.

Nossos filhos nos ajudam a nos tornarmos melhores quando nos conscientizamos disso, pois nos transformam em seres melhores.

Educar com amor e respeito não requer curso superior, didatismo, requer amor, paciência e consciência do que é ser pai e ser mãe.

Eduquem com firmeza e com amor.

Ajudando nossos filhos a administrar bem suas emoções, aprenderemos muito sobre as nossas próprias. Certamente isso nos fará seres muito melhores.

Imagens: repdodução

Sobre o autor

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Jane Rezende é médica pediatra.

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