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História da cerveja no Brasil – Parte 2

Tom Nishi
Escrito por: Tom Nishi

Por Tom Nishi –  A Bohemia vende a si mesma como a cerveja mais antiga do Brasil, porque ela teria surgido em 1853. Bom, ela não é a mais antiga porque há dados que remontam ao ano de 1935 como início da fabricação da bebida no Brasil para venda comercial. Além disso, quando a fábrica em Petrópolis fechou em 1998, o que restou foi apenas a marca, já que desde 1960 a Bohemia pertencia à Antártica (depois, Ambev).

Em 2012, o velho prédio da cervejaria foi reaberto como museu temático. Em 1830, imigrantes europeus iniciaram a produção artesanal da cerveja, mas ela era somente para consumo da família, não para venda. Foi somente a partir de 1835 que as famílias começaram a usar escravos e empregar trabalhadores para produzir a bebida e a vender ao comércio local. Nesse período, surgiram muitas cervejarias sem marca alguma, que vendiam a bebida em barris para os comércios. Muitas vezes, os próprios comerciantes engarrafavam a bebida. As mulheres exerceram grande influência na história da cerveja no Brasil. Nesses primórdios, a produção da bebida era tida como uma atividade da cozinha e para o consumo familiar.

Com o gradual crescimento do consumo, a bebida ganhou o interesse do público fora dos círculo dos imigrantes. Em 1836, foi publicado no “Jornal do Commercio do Rio de Janeiro” o primeiro anúncio publicitário brasileiro da bebida. O anúncio dizia: “Na Rua Matacavalos, número 90, e Rua Direita número 86, da “Cervejaria Brazileira”, vende-se cerveja, bebida acolhida favoravelmente e muito procurada.

Essa saudável bebida reúne a barateza a um sabor agradável e à propriedade de conservar-se por muito tempo“. A partir da década de 1840, houve grande desenvolvimento.

Diversas outras cervejarias que surgiram até 1855:

• Cervejaria Brasileira (RJ, 1836);

• Henrique Schoenbourg (SP, 1840);

• Georg Heinrich Ritter (Nova Petrópolis/RS, 1846);

• Henrique Leiden (RJ, 1848);

• Vogelin & Bager (RJ, 1848);

• João Bayer (RJ, 1849);

• Gabriel Albrecht Schmalz (Joinville/SC, 1852);

• Henrique Kremer, criador da Bohêmia (Petrópolis/RJ, 1854);

• Carlos Rey (Petrópolis/RJ, 1853).

Apesar das novas oportunidades, os cervejeiros encontraram desafios. A falta de cevada e lúpulo, até então importados da Alemanha e Áustria, estimularam a produção com o uso de outros cereais como arroz, milho e trigo. Quando as cervejas alemãs substituíram as alemãs no gosto brasileiro, a bebida passou a ser consumida em garrafas, e ate essas eram importadas, já que não se fabricava vidro em quantidade por aqui. Outra dificuldade era o alto custo da refrigeração no país tropical. Aina não havia a cerveja estupidamente gelada.

Imagem: Reprodução

Sobre o autor

Tom Nishi

Tom Nishi

Barbeiro, coaching e empresário. Proprietário da B4Alpha Barbeeshop e Nishi Hair.

1 Comentário

  • Muito boa e oportuna sua colocação , que confere com os registros anteriores existentes à respeito , apresentando a Cervejaria Brasileira / Rio de Janeiro como a 1ª a anunciar venda/produção em 1836 , bem como a cervejaria Carlos Rey e Cia iniciando em 1853 , porém um pouco antes da mencionada Bohemia , cujas instalações conheci em operação em 1992 . Com a modernização nacional desse parque industrial e sua globalização , entendendo que a Cervejaria Vienense , atual Brahma de Agudos , instalada em 1951 é amais antiga em atividade , talvez graça a qualidade diferenciada , pela captação pelo aquífero Guarani daquela parte do estado , mesma vantagem que a Antarctica não soube dar continuidade na sua Filial de Ribeirão Preto , famosa pelo chopp do Pinguim , instalada em 1911 , desativada em 2002 e hoje totalmente demolida.

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