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Itapetininga: Pai fica três anos em hospital para cuidar do filho com leucemia: ‘Enfermeiro enviado do céu’

Redação
Escrito por: Redação
Engenheiro agrônomo de Itapetininga (SP) conta como foi a rotina de incentivar o filho com leucemia. Anos após a internação, filho decidiu cursar a área de biologia ensinada pelo pai.

Por três anos o sofá de um hospital e livros do ensino fundamental fizeram parte da rotina do engenheiro agrônomo de Itapetininga (SP) Hiroyuki. O motivo? Para cuidar do filho Eric Tomiyuki Oi, diagnosticado com leucemia mielóide aguda.

Em entrevista ao G1 para o Dia dos Pais, comemorado neste domingo (12), Hiroyuki contou como foi cuidar do filho durante esse período e, principalmente, incentivá-lo a estudar e não desistir da cura mesmo com intensas terapias. Hoje, 8 anos após o tratamento, ele comemora a escolha do filho em ser biólogo.

De acordo com o engenheiro, Eric foi diagnosticado com leucemia em 2007, aos 7 anos de idade, após sentir dores intensas ao extrair um dente.

“Tudo começou quando aos sete anos um dos dentes dele foi extraído, causando muitas dores. Após muita queixa de dor, levamos ao hospital de Sorocaba para ver o que estava acontecendo. Foi quando descobrimos que ele estava com leucemia mielóide aguda, um tipo de câncer do sangue e da medula óssea em que há um excesso de glóbulos brancos imaturos”, contou.

Após o diagnóstico, o garoto ficou internado no hospital da Unimed e no Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (GPACI) para realizar quimioterapia. Hiroyuki conta que, como a esposa estava grávida e depois precisou cuidar da criança que nasceu pouco tempo depois, foi ele quem acompanhou o filho todos os dias ao hospital.

“Como minha mulher não podia ficar com ele, eu largava o serviço para ir até lá. Não conseguia ficar nem uma semana fora pela preocupação”, afirma.

Incentivo

Durante o tratamento, o engenheiro chegou a raspar a cabeça e estudava as lições que pegava das apostilas da escola, principalmente biologia, que era a preferida dele. Para o filho, o pai foi um verdadeiro enfermeiro.

“Ele foi praticamente um enfermeiro enviado do céu pra mim. Eu nunca tive medo porque sempre confiei no meu pai. ”, diz.

O filho conta que o pai ainda andava todos os dias com um caderno em mãos, onde anotava as medicações, tratamentos e recomendações, exatamente do modo que os médicos informavam, para que não houvesse nenhum erro.

“Eu fiquei quatro meses dormindo todos os dias no hospital, e mais dois anos indo toda semana para fazer exames. Meu pai faltava do trabalho pra ficar comigo. Eu não ficava nem um segundo desacompanhado. Ele comprava minhas comidas preferidas para me animar, e me ajudava em todas as situações”, afirma.

Hiroyuki ainda afirma que dormiu no hospital durante os quatro meses de tratamento intensivo do filho, e que só saia caso houvesse alguma urgência no trabalho, mas deixava algum parente para atendê-lo.

“Eu deixei meu trabalho de lado para ficar com ele. Sempre pedia para alguém ficar no meu lugar no serviço. Eu só saia caso houvesse alguma urgência, mas nunca o deixava sozinho. Ele sempre pedia para que eu levasse ele passear com a cadeira de rodas para que não ficasse trancado o dia todo no quarto, e eu levava pois não queria vê-lo triste e desanimado”, afirma o pai.

Para Eric, o incentivo do pai foi importante para seu tratamento.”Eu sentia vontade de poder andar e correr lá fora, sem precisar ficar entubado ou andar de cadeira de rodas”, diz.

Além disso, como Eric deixou de ir à escola, o pai o ajudava a estudar e fazer as lições. “Ele ia na escola, pegava as lições e me levava. Me incentivava a estudar, principalmente biologia. Por isso fui me apaixonando por essa área”, conta o jovem.

“Melhor presente”

No dia 23 de maio de 2008, no aniversário de Hiroyuki, o Eric teve alta do hospital, trazendo alegria e alívio para todos.

Segundo o pai, os médicos haviam informado que a leucemia cessou, e o organismo parou de produzir célular cancerígenas, mas o tratamento precisava continuar ao poucos.

“Foi uma alegria imensa. Ele sempre dizia que quando saísse daquele hospital queria ir ao parque Maeda, e foi isso que fizemos”, diz o pai.

O pai diz que foi o melhor presente que ele poderia ter recebido no aniversário, e que mesmo após a alta não deixou o filho nem um minuto sem sua ajuda.

“Recebemos um presentão do céu. Nós com certeza fomos agraciados com um milagre”, afirma.

Ele conta que durante o tratamento de Eric muitos desconhecidos fizeram orações e doaram sangue para ajudá-lo, e que o filho recebeu muitos presentes de pessoas que se comoveram.

“É dificil ver alguém com um olhar de bondade pra humanidade. O médico dele realmente nos ajudou a segurar as pontas”, diz o pai.

Biologia

Oito anos após, Eric decidiu que quer ser biólogo após tudo o que passou durante os anos internado e o incentivo do pai.

“A minha vida passou a ter outro significado pra mim. Valorizo muito tudo o que tenho hoje, porque penso que meus genes foram “programados” para acabar comigo aos sete anos, e eu sobrevivi. Todo o resto é bônus”, diz o Eric.

Para Hiroyuki, a decisão o deixa com muito orgulho. Ele afirma que o filho nunca teve dificuldades e que os professores ajudaram muito no seu retorno.

“Eu fico muito feliz por ele estar estudando a área que gosta. Tenho muito orgulho dele”, conclui.

Imagem: Arquivo Pessoal/Sandra Hitomi Otaki Oi
Com informações do G1

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