Monark é alvo de ação no MP após defesa de partido nazista

Representação, feita pelo grupo Judeus e Judias pela Democracia, pede que Monark seja investigado por apologia ao nazismo, incitação à violência e intolerância religiosa

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O coletivo Judeus e Judias pela Democracia de São Paulo entrará com representação criminal contra Bruno Aiub, conhecido como Monark, para que ele seja investigado pelos crimes de apologia ao nazismo, incitação à violência, injúria racial e intolerância religiosa. As ações serão encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público Federal (MPF) e Procuradoria-Geral do estado de São Paulo.

O motivo é o fato de Monark, apresentador do Flow Podcastter defendido a existência de um partido nazista no Brasil, e que a legenda ainda fosse legalizada.

Em entrevista com os deputados federais Tabata Amaral (PSB) e Kim Kataguiri (Podemos), Monark afirmou que “a esquerda radical tem muito mais espaço do que a direita radical. As duas tinham que ter espaço na minha opinião”. “Eu acho que tinha que ter um partido nazista reconhecido pela lei”, emendou.

À Fórum, Ricardo Brajterman, um dos advogados que representa o coletivo Judeus e Judias pela Democracia, afirmou que “não só é possível como já estão tomadas as medidas judiciais”.

Segundo Brajterman, “já estão sendo tomadas medidas na esfera criminal e na esfera cível, pensando até num dano mora coletivo, diante da gravidade da fala”. “Ali não houve uma hipótese de injúria racial, portando voltada a uma única pessoa, ali o crime é difuso. A princípio, qualquer cidadão que tenha se sentido ofendido tem legitimidade para fazer uma denúncia”, explicou.

Crime

Através das redes sociais, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comentou a fala de Monark e a classificou como apologia ao nazismo.

“Qualquer apologia ao nazismo é criminosa, execrável e obscena. O discurso do ódio contraria os valores fundantes da democracia constitucional brasileira. Minha solidariedade à comunidade judaica”, escreveu o magistrado.

O crime de apologia ao nazismo é previsto pela Lei 7.716/1989, e estabelece como pena reclusão de dois a cinco anos e multa.

À Fórum, a antropóloga Adriana Dias, pesquisadora e especialista no fenômeno do neonazismo, explicou que o nazismo não pode ser tratado como liberdade de opinião. “Dar voz a uma minoria, a um partido nazista, não é dar voz a uma liberdade de opinião, porque rapidamente grupos radicais como o partido nazista, usam de todas as ferramentas possíveis e terríveis de violência para chegar ao poder e destruir todas as outras minorias”, atestou.

Desligamento de Monark

O Estúdios Flow, produtora de conteúdo responsável pelo Flow Podcast, divulgou uma nota oficial, na tarde desta terça-feira (8), anunciando o desligamento do apresentador Bruno Aiub, conhecido como Monark, após a defesa que ele fez da legalização de um partido nazista no Brasil em um episódio do programa.

Na nota, a produtora afirma que tem “compromisso com os direitos humanos e a democracia” e que, por isso, decidiu pelo desligamento de Monark, bem como a retirada do ar do episódio em questão.

Antes do comunicado do Estúdios Flow, Monark gravou um vídeo para pedir “compreensão”, justificando que estava “bêbado” no momento da fala.