Não espere a velhice para viver a vida que você deseja!

Que a gente passe por essa vida com as nossas melhores intenções.

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Acervo pessoal/Murilo Moro e Talita Meira

Estamos envelhecendo!

Como você vê isso?

Incomoda?

Muito!

Porque somos vaidosos com a aparência, e temos medo de não dar tempo de fazer o que queremos, porque estamos preocupados demais com a hora certa chegar.

E que quando será a hora certa?

Quem sabe?

Envelhecemos fisicamente, não tem como ir contra isso, é a lei natural.

Cabelos brancos, rugas, disposição, dores, dizemos que é “coisa de veio”, mal sabemos que estamos ficando “veio”, mesmo que a gente não tenha feito aniversário ainda.

Começamos a preferir outras coisas, coisas que não gostávamos antes, estar com outras pessoas, fazer outros programas.

Curtir a “veiera” de boa.

Alguns tendem a chamar isso de maturidade, sim, porque não?

Outros de velhice.

Canseira acumulada.

Desculpa esfarrapada.

Quantas pessoas bem mais velhas do que nós, são mais ativas, mais alegres, mais saudáveis, mais vivas?

Muitas!

Conheço várias!

Admiração! Inspiração!

E não esperaram a velhice chegar para isso, são feitas assim.

Não limitam a sua idade, com a vivacidade contagiante de seu espírito!

Aquele que faz a gente ser alguém, por poder sentir tudo o que sentimos.

Com toda a certeza eu, Talita, no auge dos meus 37 anos, sei como eu era aos 20.

Nada me parava: trabalhava o dia todo, de segunda a sábado, estudava a noite, pegava ônibus.

Realidade de uma gigante maioria.

Se eu cansava?

Claro, mas nada que algumas horinhas de sono não resolvesse.

Saía, me divertia, e tinha energia para cuidar de mim, e muita disposição e vontade de viver nas 24 horas. E não fazia de mim irresponsável, era “veia ranzinza” quando precisava!

Sempre fui assim.

Com o passar dos anos, a gente vai ficando meio cozido, sossega, mas aquele espírito ilimitado de rótulos, regras e imposições continua aqui.

Basta tocar uma música que a gente gosta, estar com pessoas que triplicam a nossa energia, e tudo volta ser como antes!

Quem não gosta da nostalgia gastronômica de um aniversário infantil?

Daqueles repletos de açúcar, com mini cachorro-quente, salgadinho, bolo confeitado, bexigas, brincadeiras, pé descalço, adultos e crianças compartilhando gargalhadas e momentos, sem reclamar da velhice chegar.

Fazer aniversário era o evento do ano!

Quem não gosta de levar um pratinho embora, um kit aniversário para o dia seguinte?

Quanto afeto numa mordida de brigadeiro.

Os meus aniversários eram no fundo do quintal, com as crianças da rua, regado de simplicidade, mas muito amor.

O bolo da minha mãe era o mais esperado quando o meu aniversário chegava, ela nunca deixou passar em branco.

Dizia assim: “Eu vou fazer um bolinho, mesmo sem festa, vai que recebemos alguma visita?”

A visita eram as minhas amigas, que se aglomeravam numa tarde qualquer lá em casa, para comer o bolo que ela fazia.

Era lindo ver a carinha de satisfação de cada uma!

Eu amava, era feliz, me sentia viva, jovem com uma vida pela frente.

Que maravilhoso ter vivido isso, se um dia eu tiver netos, poderei contar essas histórias, caso contrário, me garanto com 4 lindos sobrinhos.

Não tenho como prever até que idade a velhice irá me levar, sinto muito por não poder estar perto dos que amo, sabendo que o tempo deles é diferente do meu, porém, eu sei, que pude pelo menos um pouco, ter feito parte da vida dessas pessoas, talvez a velhice não permita que elas se recordem de mim como antes, mas sei que estarei lá.

Espero que eu não me esqueça disso, quando chegar a minha vez, porque terei que lidar com muitos questionamentos, dúvidas e aflições, aceitar que certas coisas não poderei e não conseguirei mais fazer, e se tiver que depender de alguém para tal, que seja de modo prazeroso e não sofrido, como algumas vezes acontece, quando paramos para pensar se um dia chegaremos lá.

Que a gente passe por essa vida com as nossas melhores intenções.

Existirão dias que iremos magoar as pessoas, intencionalmente ou não, mas que isso não seja o resumo de tudo o que somos:

seres tão extraordinários, capazes de nos reinventarmos diante de qualquer situação difícil, quem dirá, essa, sobre a idade.

Quando chegar a nossa hora, e não estivermos mais aqui, os nossos atos e intenções é que serão lembrados por quem um dia, passou por nós!

Imagens: acervo pessoal/Murilo Moro e Talita Meira

 

 

Talita Meira, 36 anos Natural de Pirassununga, interior de SP Publicitária de formação Marketeira de especialização Escritora de coração – siga @paragrafeii Eterna viajante Amante de fotos, natureza, esportes e culinária Me considero uma pessoa divertida, sensível e intensa. Tem coisa que você aprende, só depois que você cruza o oceano. Desapegar é um estilo de vida, vai por mim! Murilo Moro, 30 anos, atleta por opção, bartender de profissão, saiu do Brasil com 18 anos em busca de um sonho, já morou em 4 países diferentes, e visitou outros tantos, apaixonado por línguas acabou aprendendo 4, obcecado pela cultura alheia e pelas diferenças entre elas. Aprendiz, que tem muito a ensinar.