Picanha de R$1.799: Ivan Valente entra com requerimento para saber quanto foi gasto e quem bancou churrasco de Bolsonaro

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O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou nesta terça-feira (11), através da Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação do governo federal, um pedido de informações para saber quanto foi gasto e quem bancou o churrasco promovido por Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada no último domingo (9), Dia das Mães.
Na ocasião, Bolsonaro exibiu peças de picanha que custam R$1.799,99 o quilo – mais que um salário mínimo e 12 vezes o valor do auxílio emergencial. A carne foi levada pelo churrasqueiro que se autodenomina “Tchê”, conhecido como “Churrasqueiro dos Artistas”. Trata-se de uma picanha vendida pelo Frigorífico Goiás e que leva nome de “Picanha Mito”, com uma caricatura do presidente na embalagem.

O preço da iguaria foi descoberto por Marcos Nogueira, colunista da “Cozinha Bruta”, da Folha de S. Paulo, que ligou para o Frigorífico Goiás. A mesma carne, que é uma picanha de gado da raça wagyu, é vendida também sem a embalagem do “mito”. No site do frigorífico, ela sai por R$1.200 o quilo, mas atualmente está em “promoção” e pode ser comprada por R$599 o quilo.
“É indecente a farra quando há fome e pandemia!”, protestou Ivan Valente.

No pedido de informações a que Fórum teve acesso, o parlamentar pede informações sobre o montante total gasto com o evento, especificando os valores gastos com alimentos, bebidas, diárias e passagens, com notas fiscais de todos os produtos adquiridos e lista com os nomes das pessoas que participaram do churrasco.

“Por fim, solicito informações sobre como foram pagas as despesas do evento mencionado, especificando a dotação orçamentária utilizada. Ressaltamos que, caso não seja possível encaminhar a totalidade das informações solicitadas, a lei obriga o envio da parte sobre a qual não recaia restrição de acesso, sob pena de responsabilização do servidor que restringir o acesso a informações públicas indevidamente”, escreveu o psolista.
Volta da fome
A “ostentação” de Bolsonaro ocorre justamente em um momento que a população vem sofrendo a redução de seu poder de compra diante da disparada do preço dos alimentos e, impactada pela redução do auxílio emergencial, já se depara com a volta da fome.
De acordo com o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, conduzido pela Rede Pensssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) e divulgado em abril deste ano, a fome atingiu 19 milhões de brasileiros em 2020.
A pesquisa também revelou que 116,8 milhões de brasileiros viveram com algum grau de insegurança alimentar nos últimos meses, o que corresponde a 55,2% dos domicílios. Com informações da Revista Fórum