PM do Rio suspende processo que investiga Ronnie Lessa no caso do homicídio de Marielle Franco

Ex-policial militar está preso e é suspeito de ter matado a vereadora carioca do PSOL e mais quatro pessoas.

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Ronnie Lessa está preso desde março de 2019 e irá a júri popular, junto com Élcio Queiroz, pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes - Foto: Reprodução

A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) suspendeu, temporariamente, o processo interno que investiga a possível participação do ex-PM Ronnie Lessa nos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Segundo a assessoria da PM, não se trata de arquivamento do caso.

“A Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que os trâmites administrativos não foram arquivados. O sobrestamento é um ato administrativo para aguardar o processo criminal que está em andamento no Tribunal de Justiça”, informou a corporação.

::Ex-PM Ronnie Lessa, acusado de assassinar Marielle, é suspeito pela morte de mais 4 pessoas::

Marielle e Anderson foram mortos na noite de 14 de março de 2018, quando o carro em que estavam foi atingido por 13 disparos, feitos de um outro carro que os seguia desde o bairro da Lapa, onde a vereadora havia participado de um encontro político.

Os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram presos, quase um ano depois, em 12 de março de 2019, como executores do assassinato e continuam presos à espera de julgamento. Ambos negam participação nos crimes.

Suspeito morava em condomínio em que Jair Bolsonaro tem casa no Rio

Ronnie Lessa morava na casa registrada com os números 65 e 66 no Condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem um imóvel, a casa 58.

No dia 14 de junho deste ano, os pais e familiares da vereadora Marielle Franco, a viúva de Marielle, vereadora Mônica Benício (PSOL), e representantes do Instituto Marielle Franco, da Justiça Global, da Terra de Direitos e da Anistia Internacional Brasil estiveram na manhã desta quarta-feira (14) em frente ao Ministério Público do Rio de Janeiro, no centro da cidade, para questionar as interferências nas investigação das mortes da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

No ato, também foi criado o Comitê Justiça por Marielle e Anderson, que visa atuar coletivamente por meio de ações de mobilização e incidência nacional e internacional, na busca por justiça, intensificação e unificação dos esforços de pressão e acompanhamento por parte da sociedade civil e familiares das vítimas.

A escolha do lançamento coincide com a data de 3 anos e 4 meses da execução de Marielle e Anderson, ocorrida em 14 de março de 2018, na zona norte da capital. O ato foi intitulado “Interferência Não!” e exige que não haja intervenções externas nas investigações.

Também em junho deste ano, as promotoras do Ministério Público que acompanhavam o caso desde o início pediram afastamento da força-tarefa de investigação. O motivo da saída teria sido o incômodo das promotoras com possíveis interferências externas no caso. Dias antes, o delegado da Polícia Civil que acompanha as investigações foi substituído pela quarta vez.

As entidades de direitos humanos e familiares de Marielle e Anderson enviaram ofícios ao governo do estado e ao procurador-geral do estado do Rio, Luciano Mattos, pedindo maior participação dos familiares sobre os próximos passos envolvendo a ação penal movida contra os executores e as investigações dos mandantes, audiências públicas com o governador Cláudio Castro (PSC) e o procurador, além de esclarecimentos sobre as denúncias de interferências externas na investigação veiculadas na imprensa.

::Familiares de Marielle e Anderson se unem a entidades para questionar investigações do caso::