Qual é a origem da taxa do seu financiamento?

Você que pesquisou taxa de juros do seu financiamento nos últimos tempos, gostou das mudanças de uns 5 anos pa ra cá, mas essa política de ju ros baix o está chegando ao fim da corrida, há uma pressão para que ela aumente. Mas afinal, quem decide a taxa básica de juros?

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Na semana que vem, haverá uma nova reunião do COPOM, Comitê de Política Monetária, esse comitê tem a função básica de analisar os relatórios de inflação e implementar a política monetária a partir do cenário analisado a cada 45 dias, que é a periodicidade das reuniões. Através dele influenciam fatores como o controle da oferta de moeda, questões relacionadas à concessão de créditos e como controlam o valor da moeda, acabam afetando o poder de compra e o preço das mercadorias. Mas a pauta mais aguardada dessa reunião, é a taxa SELIC. A taxa SELIC é representa a média de juros que o Governo brasileiro paga por seus empréstimos, e fator que afeta o preço dos empréstimos de outros agentes financeiros, como bancos para nós. Sabe o financiamento do seu imóvel e do seu carro? O juro que você paga foi estabelecido como resultado dessa reunião.

Vamos ao que mais importa, a lógica que o COPOM mais segue é a de atrelar diretamente o aumento da inflação à taxa de consumo, como se a única forma de inflação que temos no Brasil é a por demanda, ou seja, como se houvesse muita gente comprando e estivéssemos com problemas para conseguir produzir o suficiente, pois as fábricas já estariam com a produção com o potencial atingido e precisassem de investimentos diretos para conseguir aumentar a produção, como aconteceu entre 2013 e 2015. Sabemos que o momento não é esse, pois estamos em um momento que há um desemprego alarmante, com isso há uma redução no poder de compra da população em geral e uma queda drástica nos volumes de vendas das lojas e comércios. As fábricas estão longe do potencial total, não precisariam de tanta hora-extra (primeiro indício que precisará de investimento direto para aumento de produção) e até pela covid não farão grandes investimentos nesse momento de incerteza. Por esses motivos, não é uma super demanda e muito menos, uma pressão do consumo na inflação e por isso, não há a necessidade de aumentar a taxa SELIC como medida para nos proteger da inflação, mas a tendência é que aumentem. Como disse em minha primeira participação na coluna, precisamos sempre entender quem serão os beneficiados de algumas políticas que são implementadas, nesse caso, política monetária.

 

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Imaginando a manutenção do crescimento da SELIC, mesmo que 0,25%, não só o seu financiamento seria um dos afetados pela variação, mas vários outros empréstimos de curtíssimo prazo (capital de giro) ou médio prazo (outros financiamentos pós-fixados). A economia é um jogo de soma zero, para um ganhar outro deve perder, então quem ganha com isso? Se você aumenta essa taxa, tem dos grandes públicos afetados que adorarão: rentistas e bancários. Os rentistas são as pessoas que vivem de renda, como renda fixas, e o setor bancário, que ganha dinheiro com o spread bancário – diferença entre a taxa SELIC (custo do dinheiro para o banco – pensa rentabilidade de sua poupança) e as taxas de empréstimos pelo próprio banco.

Precisamos sempre nos manter antenados nessa taxa, ela afeta indiretamente tudo ao nosso redor, e desde o governo de Collor temos seguido a mesma política monetária, que privilegia o rentista e atrasa a relação do poder de compra do trabalhador. Mas isso eu continuo depois.