Quando o apetite pela aprovação é prejudicial

Quando o apetite pela nossa aprovação é insaciável, prejudicamos demais a nós mesmos, principalmente com a perda de identidade.

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Todos nós possuímos um certo grau de necessidade de ser aprovados pelos outros. E, para uma grande maioria, pertencer a um grupo e não ser expulso é crucial para sobreviver. Tenho observado isto principalmente entre os jovens. Uma certa busca por aprovação é até natural e saudável. No entanto, devemos aprender a reconhecer quando essa necessidade se torna problemática.

A grande questão para refletirmos é a seguinte: em muitos casos, essa necessidade de aprovação se mostra inútil e muitas vezes até mesmo prejudicial, já que ela impede que façamos muitas das coisas que gostaríamos de fazer e o pior, deixamos de ser nós mesmos.

A grande verdade é que atualmente parece ser necessário ser aceitos pelos outros a todo custo e de qualquer maneira, mas no final das contas, com certo grau de sobriedade, poderemos concluir que realmente isto não é algo imprescindível.

Toda nossa necessidade de aprovação pode ocorrer quando o valor que damos a nós mesmos depende da aprovação dos outros. Ou seja, aquela carência de sentir a aceitação dos demais para estar bem com nós mesmos. Que loucura…, e esta busca pode nos levar a viver como se estivéssemos sempre sendo avaliados como um teste psicológico ou talvez uma entrevista de emprego. Terrível, é mais uma carga sobre nossos ombros!

E ainda mais…, que loucura é imaginar que nosso estado de humor depende de como os outros irá nos tratar. É o acordar de bom humor e ao fazer uma atividade não receber nenhum elogio, fazendo com que fiquemos tristes, irritados ou até mesmo frustrados. E o mesmo pode ocorrer com nossa autoestima em função daquilo que os outros podem falar sobre nós, fazendo nos sentir melhores ou piores.

É bastante comum, em nossa necessidade de aprovação, não ser capaz de dizer “não” quando nos pedem um favor ao custo de sacrificarmos outras atividades ou nosso descanso para cumpri-lo.

Quando o nosso apetite por uma aprovação se torna prejudicial, nunca teremos a certeza de que estamos no caminho certo. Somos como um cão perseguindo seu próprio rabo até ficar exausto. Nós temos não apenas que reunir nosso próprio significado, objetivos e sonhos, como também nossa própria capacidade de os cumprir.

Outra coisa: em uma conversa com outras pessoas, quando elas expressam uma opinião ou um argumento com o qual não concordamos, se temos uma alta necessidade de aprovação, não expressamos o que pensamos de verdade com a finalidade de agradá-las. Isto pode ocorrer ou pelo medo de exclusão ou por medo de parecermos ridículos.

Uma dose de amor-próprio é essencial em nossas vidas. Precisamos nos valorizar e nos amar o suficiente. Uma sólida autoestima é a base para manter o equilíbrio emocional e ser bem-sucedidos.

Como já dito no início deste texto, todo ser humano busca nas relações, sejam sociais, profissionais ou amorosas, a aprovação dos demais. E o problema se dá exatamente quando essa necessidade de aprovação é constante.

Não devemos jamais perder nossa identidade! Quando essa necessidade de aprovação expressar que não sabemos o que gostamos de fazer ou não sabemos quem somos de verdade, nos deixará em uma situação de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer quando sempre estamos em busca do que as outras pessoas gostam e esperam delas. Acabamos não conseguindo identificar nossas preferências pessoais.

O que eu gostaria realmente de fazer?

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Aprender a se escutar é muito importante para superarmos a necessidade de aprovação. Não podemos colocar o foco no que as pessoas esperam de nós, mas no que realmente queremos fazer e em nossas opiniões.

Quando o apetite pela nossa aprovação é insaciável, prejudicamos demais a nós mesmos, principalmente com a perda de identidade.

Há, e não podemos confundir desaprovação, o que ocorrerá em algum momento, com rejeição. Só porque alguém não concordou conosco, não significa que ela está nos rejeitando. As diferenças existem e precisamos aceitá-las.

Não somos iguais a ninguém e nenhuma novidade nesta questão, podemos ser parecidos com outras pessoas, mas não há ninguém no mundo literalmente igual a nós tanto na genética quanto na história de vida. A necessidade de aprovação pode nos afastar de quem somos de verdade. Tenhamos firmeza nas nossas opiniões e como qualquer outra pessoa, também podemos errar.

Sentir aceitos, amados e reconhecidos são sentimentos comuns a todos nós. Afinal querer agradar e ser reconhecido não é algo ruim. E novamente, o problema surge quando esses sentimentos estão relacionados com a necessidade de precisar da aprovação e do reconhecimento de outras pessoas para ser feliz e alcançar bem-estar pessoal ou profissional.

Quando deixamos de nos agradar para dar lugar aos pensamentos de outras pessoas em nossa vida, perdemos assim o amor-próprio que é tão importante para nossa saúde emocional, ou seja, deixamos de gostar e acreditar em nós mesmos. Perdemos nossa autoestima e toda autoestima se baseia nas relações com o outro.

Viver em um ciclo emocional entre bem-estar e insatisfação se torna alegria passageira e de verdade, este não é o sonho de nenhum de nós. E, se buscamos a autenticidade das nossas emoções e vamos ao encontro das descobertas que elas envolvem, vulnerabilidades e medos, fazem parte do processo.

“É perigoso preocupar-se com o que os outros pensam a seu respeito, mas, se você confia no Senhor, está seguro.” Provérbios 29.25

“Não estou buscando agradar as pessoas! Não, estou buscando agradar a Deus. Se ainda estivesse buscando agradar as pessoas, não seria servo de Cristo.” Gálatas 1.10

Como Deus nos criou com uma necessidade de relacionamentos, cada um de nós carrega o desejo de ser amado, valorizado e apreciado!