Eleições 2018

Se querem isolar Ciro é porque ele tem algo a dizer, diz Kátia Abreu

Gilson Azevedo
Escrito por: Gilson Azevedo
A senadora, que avaliava disputar o governo do Tocantins, conta que recebeu a proposta de seu partido na quinta-feira (2)

“Oj ogo foi muito bruto em cima do Ciro”, diz a senadora Kátia Abreu (PDT), anunciada neste domingo (5) como vice na chapa do presidenciável Ciro Gomes (PDT). No entanto, para ela, a ação dos adversários  para isolar o pedetista na eleição “não deixa de ser um bom sinal”.

“Se eles estão preocupados em esvaziar o tempo de TV, é porque ele tem algo a dizer”, afirmou Abreu à reportagem neste domingo, por telefone.

A senadora, que avaliava disputar o governo do Tocantins, conta que recebeu a proposta de seu partido na quinta-feira (2), um dia depois de o PSB, cortejado pelo PDT, anunciar a neutralidade na disputa presidencial, em um acordo com o PT.

Ela conta que torcia, junto com a legenda, para ter mais alianças que fossem “boas para todo mundo”. Não foi desta vez, e Abreu teve de abrir mão de se sua candidatura a governadora. “Se não tiver jeito de salvar o Brasil, não tem como salvar o Tocantins”, argumentou.

“É público e notório que Michel Temer está apoiando o Alckmin e lutou para que o centrão permanecesse no mesmo grupo. Não deixa de ser uma continuidade coordenada”, ela afirma. “E o próprio PT não quer dividir o topo.”

Abreu foi expulsa do MDB de Temer em 2017, devido aos ataques que fez à sigla e ao governo do emedebista. Ela se recusou a deixar o Ministério da Agricultura, que ocupava no governo de Dilma Rousseff (PT). Amiga de Dilma, a senadora tornou-se uma de suas defensoras mais aguerridas. Ela votou contra o afastamento da petista no Senado e a consequente ascensão de Temer ao Planalto.

O apoio à ex-presidente não passou em branco para Ciro Gomes. “Ela é uma mulher de honra e que foi firme contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff”, disse o presidenciável.

Ex-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a tocantinense se filiou ao PDT em abril, para disputar o governo nas eleições suplementares de junho. Chegou a liderar as pesquisas, mas acabou ficando de fora do segundo turno.

Parte de uma chapa de centro-esquerda, a pecuarista -que, além do MDB, já foi filiada ao PFL, DEM e PSD- diz que continua com a mesma posição política de sempre: o centro.”Mesmo na CNA, que é uma casa muito radical e de direita, eu tinha um trabalho duro lá dentro para mudar essa imagem. A produção não tem que ter lado, radicalismo. A gente precisa buscar o equilíbrio, sempre no centro”, afirma a congressista.

Pesou na escolha de Kátia Abreu para acompanhar Ciro Gomes nas urnas a interlocução da senadora com o agronegócio. “Se me escolheram, é por conta dos meus atributos. E não é de beleza, que não tenho nenhuma, mas de conhecimento”, ela diz.

Em discursos e entrevistas, Ciro Gomes defende uma agenda nacionalista, com presença do estado na economia e críticas a banqueiros. “Sou liberal, democrata e acredito na força da iniciativa privada. Mas acredito também que, nos piores momentos, o governo é uma força fundamental para agilizar processos, como a redução da pobreza”, comenta a candidata a vice.

A ex-ministra oferecerá ao presidenciável suas propostas para o agronegócio. Antes da proposta para integrar a chapa, ela conta que já tinha sido convidada para integrar a equipe que definirá o plano de governo pedetista para o setor.

“Não me dediquei a nada na minha vida mais do que à produção agropecuária, buscando exportações, eficiência e competitividade. Pode ter uns nervosos aí porque apoiei a Dilma no impeachment, mas ninguém pode dizer que eu atrapalhei o setor um dia na vida”, diz Abreu.

Com informações do Notícias Ao Minuto.
Imagem de capa:reuters

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Gilson Azevedo

Jornalista - MTB 0081 948/SP.
Simplesmente apaixonado por boteco.
Contato: gil@z1portal.com.br

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