Ucrânia: ONU pede saída diplomática para tensões na fronteira com a Rússia

Subsecretária-geral para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz revela preocupação com crescente atividade militar na região; Rosemary DiCarlo enfatizou que Nações Unidas querem compromisso dos envolvidos com paz e segurança.

ONU Foto/Eskinder Debebe Subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz ressaltou as tensões na fronteira entre Rússia e Ucrânia

O Conselho de Segurança debateu esta segunda-feira a situação na Ucrânia, como parte da agenda das “Ameaças à Paz e Segurança Internacionais”.

A sessão, realizada a pedido dos Estados Unidos, foi decidida por 10 votos a favor, incluindo o do Brasil. China e Rússia votaram contra, enquanto Índia, Gabão e Quênia se abstiveram.

Relatos indicam que há mais de 100 mil soldados e armamento pesado da Rússia posicionados ao longo da fronteira com a Ucrânia.
UNICEF/ Ashely Gilbertson V
Relatos indicam que há mais de 100 mil soldados e armamento pesado da Rússia posicionados ao longo da fronteira com a Ucrânia.

Segurança

Na reunião, a subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz ressaltou as tensões na fronteira entre Rússia e Ucrânia.

Rosemary DiCarlo afirmou que ONU está acompanhando as discussões diplomáticas sobre “o futuro da arquitetura europeia de paz e segurança entre representantes da Federação Russa, dos Estados Unidos, membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan, da União Europeia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.”

A chefe dos Assuntos Políticos afirmou que em todas as oportunidades, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apoiou incondicionalmente os esforços em andamento, mas segue preocupado com o aumento das tensões e a atividade militar no “coração da Europa”.

Em seu discurso, a subsecretária-geral afirmou que, de acordo com relatos, há mais de 100 mil soldados e armamento pesado da Rússia posicionados ao longo da fronteira com a Ucrânia.

Diplomacia

Além disso, haveria inúmeras tropas e armamentos russos sendo enviados para Belarus. Exercícios militares conjuntos em larga escala estariam previstos para fevereiro nas fronteiras com a Ucrânia, a Polônia e os Estados Bálticos.

Segundo ela, membros da Otan também planejam atividades nos Estados-membros da Europa Oriental e 8,5 mil soldados estão em alerta máximo.

Rosemary DiCarlo destacou que o secretário-geral tem forte convicção de que não deve haver “nenhuma intervenção militar neste contexto e que a diplomacia deve prevalecer”.

Ela destacou que qualquer ação armada seria contra o direito internacional e a Carta das Nações Unidas. Assim, a subsecretária-geral explicou que expectativa da ONU é que todos contribuam para evitar confrontos e criar condições para uma solução diplomática para acabar com a crise.

Diálogo

A subsecretária-geral elogiou as medidas tomadas até agora para manter o diálogo e pediu que as partes não tomem ações provocativas para maximizar a chance de sucesso da diplomacia e alcançar a compreensão mútua.

A representante reafirmou o compromisso das Nações Unidas com a soberania, independência política, unidade e integridade territorial da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, de acordo com as resoluções relevantes da Assembleia Geral.

DiCarlo adicionou que as agências das Nações Unidas na Ucrânia estão empenhadas em continuar cumprindo seus mandatos, de acordo com os princípios humanitários de neutralidade, imparcialidade, humanidade e independência.

Para ela, “ninguém está assistindo os atuais esforços diplomáticos mais do que o povo da Ucrânia”. A subsecretária-geral lembrou que eles enfrentaram um conflito que deixou mais 14 mil vítimas desde 2014 e que “está longe de ser resolvido”.

Princípio

A chefe dos Assuntos Políticos fez um alerta destacando que “qualquer nova escalada dentro ou ao redor da Ucrânia significaria mais mortes e destruição desnecessárias”.

Por fim, DiCarlo lembrou dos princípios consagrados na Carta da ONU, no Ato Final de Helsinque e vários outros compromissos para garantir a paz e a segurança regionais e internacionais.

O discurso ressalta que “qualquer escalada ou novo conflito seria outro golpe sério na arquitetura tão meticulosamente construída nos últimos 75 anos para manter a paz e a segurança internacionais”, destacando ser este o momento que o mundo mais precisa.