Vinhedo: Justiça concede recuperação ao Hopi Hari após homologar plano votado por credores; veja prazos

Valor da dívida foi reajustado para R$ 420 milhões e administrador judicial acompanhará caso por dois anos. Segundo parque, acertos serão feitos em até 16 anos; confira cronograma por classe.

Foto: Reprodução/ Redes sociais

A Justiça concedeu recuperação judicial ao parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo (SP), após homologar nesta quarta-feira (9) o plano que reajustou a dívida para R$ 420 milhões e foi votado por credores na semana passada. A decisão é do juiz da 1ª Vara de Vinhedo, Fábio Marcelo Holanda, e estipula que as sociedades empresárias devedoras permanecem nesta condição até que sejam cumpridas as obrigações previstas e com vencimento até dois anos após esta decisão. Cabe recurso.

“Os pagamentos deverão ser feitos diretamente aos credores que deverão informar seus dados bancários diretamente às recuperandas […] Cumpridas as obrigações vencidas no prazo de dois anos, o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação judicial”, diz texto que ainda será publicada no Diário de Justiça Eletrônico. Com isso, Holanda salientou que o administrador judicial deverá apresentar, ao final do biênio, “relatório pormenorizado” sobre o cumprimento do plano.

A advogada Elaine Bussi, integrante do escritório que atua como administrador judicial no processo, destacou a importância da decisão, mas ponderou que há um “caminho longo” pela frente.

“Impacta positivamente, priorizando a preservação das empresas, a proteção dos trabalhadores e o interesse dos credores, mantendo as atividades do parque”, falou ao g1 ao ressaltar que prazos para eventuais recursos começam a contar após a publicação da decisão de primeira instância. A dívida estimada antes da assembleia era projetada pelo parque de diversões na casa de R$ 500 milhões.

Instalado desde 1999 às margens da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), o Hopi Hari chegou a ter um plano de recuperação aprovado em abril de 2019. Entretanto, ele foi contestado porque deixou de fora do acordo os maiores credores, o que obrigou a retomada das discussões sobre o assunto. O caso se arrasta desde 2016, quando houve o primeiro pedido para evitar a falência, e o parque segue reaberto desde agosto de 2017, após ficar fechado por quase três meses em meio às dificuldades financeiras.

“A vitória e a homologação do plano de recuperação judicial garantem a continuidade da gestão do parque, além de projetos para novos investimentos”, diz nota do Hopi Hari.

O plano de recuperação

A assembleia que votou o plano de recuperação teve participação online e integrantes dos maiores credores, entre eles o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), além de representantes das demais classes, incluindo os trabalhadores, fornecedores e micro e pequenas empresas com créditos.

As discussões ocorreram por nove horas e, segundo o Hopi Hari, o acordo incluiu carta de garantia do principal acionista, Brooklyn Investimentos, no valor de R$ 150 milhões, a serem aplicados no prazo de cinco anos, contados a partir de 2022. Na ocasião, o presidente do parque, Alexandre Rodrigues, explicou à reportagem que somente a classe de quirografários – como fornecedores – não teve maioria a favor do plano e a votação teve empate, o que foi analisado na decisão judicial desta quarta-feira.

Segundo o parque, os pagamentos serão feitos em até 16 anos – veja abaixo calendário por grupo.

Como serão os pagamentos?

Rodrigues afirmou ao g1 que o pagamento de trabalhadores teve início em agosto de 2021, após aval judicial. Segundo ele, está disponível um canal de adesão para ex-funcionários e empregados:

  • Profissionais, que se enquadram na classe 1 da recuperação judicial, podem enviar e-mail com dados pessoais para o endereço [email protected]. As informações serão validadas junto ao processo para que os pagamentos sejam realizados.

De acordo com o Hopi Hari, o cronograma ficou definido da seguinte forma:

  • Casse 1 – trabalhadores: R$ 8 milhões; prazo de 12 meses
  • Classe 2 – garantia real (onde estão os maiores credores): R$ 330 milhões; prazo de 16 anos
  • Classe 3 – quirografários (empresas e fornecedores): R$ 72 milhões; prazo de 16 anos
  • Classe 4 – microempresas e empresas de pequeno porte: R$ 2 milhões; prazo de 5 anos

Sem previsão de venda

A homologação do plano e a concessão da recuperação judicial ocorrem após o parque sinalizar faturamento de R$ 98 milhões no ano passado, em meio aos reflexos de restrições impostas para conter avanço da pandemia de Covid-19. Segundo o parque, o valor foi recorde na história e ao longo de 148 dias o parque contabilizou 733 mil visitantes, o que representa média de público em 4,9 mil.

No ano passado, em meio ao processo de recuperação judicial, um grupo investidor de outros parques, como Beto Carrero e Playcenter, chegou a fazer uma proposta de compra do Hopi Hari, mas a iniciativa não foi adiante. O presidente do parque avaliou que, com o plano aprovado, a hipótese da venda fica afastada e o acionista majoritário tem interesse em investimentos por conta do Distrito Turístico.

A iniciativa mencionada foi implementada em novembro pelo governo de São Paulo e abrange as cidades de Vinhedo, Louveira, Jundiaí e Itupeva, as atrações da região, além de parques e shoppings.

“A gente espera que nos próximos anos a gente tenha uma notoriedade muito grande, como Disney, Olímpia. Os valores imobiliários dessa região aumentaram muito. O Hopi Hari tem mais de 75 mil alqueires. Só de terreno é quase R$ 1 bilhão”, estimou Rodrigues na semana passada.