Weintraub diz que Bolsonaro sabia antecipadamente de operação contra Flávio

Em 2020, o empresário Paulo Marinho disse que um delegado da PF antecipou ao filho do presidente que Fabrício Queiroz seria alvo da Operação Furna da Onça

Ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Ex-ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro (PL) Abraham Weintraub disse, em entrevista ao podcast Inteligência Lta, que o presidente sabia antecipadamente que o ex-assessor Fabrício Queiroz seria alvo da Operação Furna da Onça, que afetou o filho dele Flávio Bolsonaro (Republicanos).

“Vou contar uma coisa aqui que acho que nunca contei em público. Eu estava no governo de transição, em novembro, e fui chamado para uma sala com pouca gente. [Bolsonaro] Juntou uma mesa comprida e falou: Ó, o seguinte. Está para aparecer uma acusação, que está pegando esse cara aqui (apontou para o Flávio). O governo não tem nada a ver com ele. Se ele cometeu alguma coisa errada, ele que vai pagar por isso”, relatou Weintraub.

Segundo ele, também estavam na sala Onyx Lorenzoni, Alberto Santos Cruz, Gustavo Bebianno e outros futuros ministros.

Em 2020, o empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio (Republicanos), disse ao jornal “Folha de S. Paulo” que um delegado da Polícia Federal antecipou ao filho do presidente – antes do segundo turno da eleição de 2018 – que Queiroz seria alvo da operação.

Ainda de acordo com Marinho, a PF segurou a ação para depois da eleição “porque isso poderia atrapalhar o resultado”.

Confira a fala de Weintraub:

Relembre

Apesar de Flávio Bolsonaro não ser alvo direto da Operação Furna da Onça, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) incluídos na investigação apontavam movimentações atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, que era assessor em seu antigo gabinete na Alerj. Flávio foi deputado estadual no Rio de 2003 a 2018.

Os relatórios acabaram sendo utilizados na investigação do Ministério Público do Rio sobre um esquema de corrupção no gabinete de Flávio. O chamado caso da “rachadinha” aponta que o parlamentar ficava com parte dos salários de seus funcionários. Segundo a investigação, os valores eram recolhidos e movimentados por Queiroz, operador financeiro do esquema.

Queiroz foi preso em no dia 18 de junho no âmbito deste caso e, após decisão do Superior Tribunal de Justiça, está em prisão domiciliar.